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Correio Braziliense

Segurança é o tema com mais postagens referentes às eleições, diz FGV

Análise da Fundação Getúlio Vargas mostra que o tema rendeu 666,3 mil tuítes. Corrupção (559,8 mil) veio em segundo lugar


postado em 19/10/2018 06:00

(foto: Apu Gomes/AFP)
(foto: Apu Gomes/AFP)

Embalados pelas notícias sobre a escalada da violência com motivação política, eleitores brasileiros se concentraram em postagens sobre segurança pública no Twitter, entre a quinta-feira (11 de outubro) e a última segunda-feira. Análise da Fundação Getúlio Vargas mostra que o tema rendeu 666,3 mil tuítes: 589,8 mil associados a Jair Bolsonaro (PSL) e 149,3 mil a Fernando Haddad (PT). Corrupção (559,8 mil) veio em segundo lugar, com a maioria dos comentários (416,8 mil) mencionando o capitão da reserva. Temas morais, como o suposto kit gay, que o TSE já decretou ser fake news, e a legalização do aborto, também mobilizaram a rede social.

“Em suas postagens, apoiadores de Bolsonaro duvidam que os ataques tenham motivação política e associam o PT a facções criminosas. Os apoiadores de Haddad, entretanto, afirmam que Bolsonaro faz apologia à violência e que os incidentes têm ocorrido como efeito em cadeia de seus discursos”, diz a análise da FGV. Mesmo em segundo lugar no ranking, a corrupção sofreu queda de 155.307 (em 11 de outubro) para 103.805 citações (na segunda), a maioria ligada a Luiz Inácio Lula da Silva. “Seguidores de Bolsonaro, no entanto, também recebem críticas com alto volume de retuítes de usuários que afirmam que muitos dos que se declaram ‘antipetistas’, em razão da corrupção, realizam ‘pequenas corrupções’ no dia a dia”, constata a análise da FGV.

O professor da PUC de Goiás e pesquisador em comunicação política Marcos Marinho Queiroz acredita que, com a denúncia feita ontem pela Folha de S. Paulo, de que empresas receberam até R$ 12 milhões, cada uma, para disparar notícias contra o PT no Whastapp, a corrupção volte a ocupar lugar de destaque nos tuítes. “Mas com uma virada de mesa, associando, agora, a campanha de Bolsonaro à corrupção”, acredita.

Terceiro tema mais comentado no período, a saúde ganhou 126,3 mil tuítes, com 64,8 mil deles mencionando Haddad. Aborto e atendimento a vítimas de violência sexual no SUS foram os tópicos mais comentados. Referências ao candidato do PT alcançaram um pico no feriado de Nossa Senhora Aparecida, dia 12, quando ele foi chamado de “abortista” por uma mulher. Queiroz não se surpreende com assuntos de viés moral nas redes sociais. “Essas eleições ficaram marcadas pela ausência de temas propositivos, e a pauta de Bolsonaro é muito baseada em moral”.

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