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Correio Braziliense

'Facada favoreceu Bolsonaro nos dois turnos', diz irmão do agressor

Desempregado, Aldeir Ramos de Oliveira, revela que votou em Haddad nos dois turnos mas não sabe explicar por que escolheu o ex-prefeito de SP


postado em 28/10/2018 18:00

O irmão do agressor de Jair Bolsonaro disse ter votado no segundo turno %u2013 assim como no primeiro %u2013, em Fernando Haddad(foto: Luiz Ribeiro/EM/DA Press)
O irmão do agressor de Jair Bolsonaro disse ter votado no segundo turno %u2013 assim como no primeiro %u2013, em Fernando Haddad (foto: Luiz Ribeiro/EM/DA Press)

O atentado à faca cometido por Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), em 6 de setembro, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira “interferiu” no resultado da eleição presidencial. A opinião é do desempregado Aldeir Ramos de Oliveira, de 51 anos, irmão do esfaqueador do candidato do PSL. Ele acha que o atentado acabou favorecendo Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno da eleição.
 
“Acho que o episódio interferiu na eleição sim. Acho que (o atentado) deu mais crédito para ele (Bolsonaro) junto aos eleitores. Não sei por quê. Mas, que fortaleceu ele, fortaleceu”, afirmou Aldeir, entrevistado com exclusividade pelo Estado de Minas na tarde deste domingo, no barracão onde mora no Conjunto Bandeirante, área carente de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais.

O irmão do agressor de Jair Bolsonaro disse ter votado no segundo turno – assim como no primeiro –, em Fernando Haddad, candidato do PT, embora acreditando que o adversário do petista sempre foi favorito. “Acho que o Bolsonaro ganha (a eleição para presidente)”, afirmou Aldeir, poucas horas depois de votar em uma seção de uma escola estadual no Bairro Santo Antonio, vizinha a sua casa.

Aldeir não quis entrar em detalhes quando foi questionado porque votou no ex-prefeito de São Paulo. “Sei lá. Não me identifiquei com o Bolsonaro”, disse. Também evitou fazer comentários ao ser perguntado sobre os votos de seus familiares. “Pelo menos eu votei no ´PT. Os outros eu não sei”, alegou. No entanto, o adesivo de Fernando Haddad no portão da entrada da casa humilde dá uma pista sobre a preferência de toda a família na eleição.

O irmão do esfaqueador de Bolsonaro disse que desde o atentado não teve nenhum contato com Adelio, que está preso preventivamente na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS) e já foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, além de ter sido denunciado pelo Ministério Publico Federal por crime de “inconformismo político”. Aldeir disse que nunca esperou que o irmão cometesse o ato de violência. Lembrou também que só teve convivência com o agressor de Bolsonaro até Adelio completar 15 anos de idade.

Ele acredita que o irmão tem algum “problema de cabeça”. “Ouvi dizer que ele (Adelio) seria internado (em um hospital psiquiátrico), mas não tenho certeza sobre isso”, afirmou o morador de Montes Claros, acrescentando que tem acompanhado notícias do irmão à distância, apenas “pela televisão”, sem manter contatos com advogados. A defesa de Adelio entrou com pedido de realização de exame de insanidade mental no agressor de Bolsonaro. O pedido foi acatado pelo juiz Bruno Savino, da Terceira Vara Federal de Juiz de Fora, a quem compete nomear uma equipe oficial de peritos médicos para examinar Adelio. O processo corre em sigilo.
Temor

Aldeir de Oliveira disse não acreditar que o irmão tenha recebido ajuda de terceiros ou agido “a mando de alguém”, ao cometer o atentado contra Jair Bolsonaro durante um ato de campanha política em Juiz de Fora, o que é objetivo de investigação de um segundo inquérito instaurado pela Polícia Federal, que continua em andamento. Ele disse que teme pela vida do irmão na cadeia em Campo Grande. “Às vezes tenho medo de alguém possa fazer algo ou mandar fazer alguma coisa contra ele (Adelio) lá dentro (da prisão). Tudo pode acontecer. Ninguém sabe sobre o coração dos outros”, afirmou Aldeir.

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