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Correio Braziliense

Deputados querem aceno de Bolsonaro para votar reforma da Previdência

Parlamentares esperam negociações com o novo governo para a reforma da Previdência ser votada ainda este ano. Necessidade de conversas e falta de tempo são os principais entraves


postado em 01/11/2018 06:00

Major Olímpio, aliado de Bolsonaro, afirmou que a reforma não sai este ano do jeito que está (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Major Olímpio, aliado de Bolsonaro, afirmou que a reforma não sai este ano do jeito que está (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )


Apesar de parlamentares da cúpula do Congresso preverem um crescimento acima de otimistas 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano, caso a reforma da Previdência seja aprovada, os caciques dos principais partidos esperam um aceno mais claro do presidente eleito Jair Bolsonaro. Ontem, durante todo o dia, deputados de uma eventual e futura base do governo previam uma melhora no cenário econômico do país com a mudança nas regras de aposentadoria.

Alguns mais otimistas chegaram em conversas reservadas a falar num avanço de 7% do PIB. A questão, entretanto, é que a equipe econômica de Bolsonaro e os principais interlocutores no Congresso ainda não deixaram claro como serão as negociações e os acordos. “Não adianta apenas atacar com palavras e dizer que querem aprovar o texto ainda neste ano”, disse um integrante do Centrão, grupo político composto pelas siglas PP, PR, PSD, PTB, PROS, PSC, SD, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL.

O que está em jogo é convencer cerca de 200 parlamentares derrotados nas urnas que não teriam nenhum ganho político com a aprovação. No início da semana, o futuro chefe da Casa Civil de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, chegou a sugerir que parte dos parlamentares que perderam nas urnas fossem convidados para compor o novo governo. “O problema é que não dá para oferecer 200 postos para todo esse pessoal na Esplanada”, pontuou.

Outro ponto é a negociação para a Presidência da Câmara, que tem como principal candidato o atual chefe da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele precisa compor com uma série de partidos para sair vitorioso, inclusive com a oposição. Segundo parlamentares ouvidos pela reportagem, os interlocutores do grupo de negociação de Bolsonaro com o Congresso teriam de buscar acordo mais direto com Maia.

Na opinião do deputado Chico Alencar (PSol-RJ), é difícil que o governo Michel Temer consiga o apoio de 308 deputados nos próximos dois meses, número necessário para se aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), depois de ter falhado nessa missão no início do ano e no fim do ano passado. “Tem deputado que não foi reeleito, que já está arrumando as malas. Não vai querer se desgastar”, lembra. Além da pouca disposição dos deputados, outro obstáculo é que, para retomar a PEC, seria preciso suspender a intervenção federal no Rio de Janeiro, prevista para acabar em 31 de dezembro.
 

Precipitação

O deputado Major Olímpio (PSL-SP), um dos aliados de Bolsonaro, avalia que a proposta não será aprovada este ano da forma como está. Ele mesmo afirma que não seria favorável ao texto, caso fosse ao plenário nas próximas semanas. Na terça-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que seria “um pouco de precipitação” precisar a data de votação da PEC. “Votar qualquer matéria, Previdência ou não, para o futuro governo sofrer uma derrota, eu acho que é ruim para quem entra. Vamos ter de ter paciência”, disse.
 
A PEC do governo Michel Temer foi enviada ao Congresso em novembro de 2016 e aprovada pela comissão especial da Câmara no ano passado, mas não chegou a ser votada no plenário por falta de apoio. Depois de algumas mudanças no texto, a versão que tramita atualmente prevê idades mínimas iniciais de 53 anos para mulheres e 55 anos para homens, avançando ao longo de duas décadas para as exigências de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.
 

Sem corruptos no governo

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse ontem, pelo Twitter, que não vai nomear condenados por corrupção para o seu governo e que anunciará os nomes dos ministros por meio das redes sociais. Horas antes, ele confirmou a indicação do ex-astronauta Marcos Pontes para comandar o Ministério da Ciência e Tecnologia. “Nossos ministérios não serão compostos por condenados por corrupção, como foram nos últimos governos. Anunciarei os nomes oficialmente em minhas redes. Qualquer informação além é mera especulação maldosa e sem credibilidade”, tuitou. As declarações de Bolsonaro trazem incertezas sobre a possível ida do deputado Alberto Fraga (DEM-DF), condenado a quatro anos, dois meses e vinte dias de prisão, em regime semiaberto, pela prática do crime de concussão.

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