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Correio Braziliense

'Seria um belo encerramento do governo Temer', diz Guedes sobre Previdência

Futuro ministro da Economia acha que a reforma da previdência está atrasada e defende aprovação antes da posse de Bolsonaro


postado em 06/11/2018 12:16 / atualizado em 06/11/2018 16:36

Ainda ressaltando os feitios durante a gestão de Temer, Guedes destacou que, foi durante o governo dele, que a inflação caiu(foto: Daniel Ramalho/AFP)
Ainda ressaltando os feitios durante a gestão de Temer, Guedes destacou que, foi durante o governo dele, que a inflação caiu (foto: Daniel Ramalho/AFP)

O economista Paulo Guedes, futuro ministro da Economia do presidente eleito Jair Bolsonaro, defendeu a aprovação da proposta de reforma da Previdência de Michel Temer ainda este ano para dar um gás ao novo governo, mas avisou que, se não houver acordo com os parlamentares, no ano que vem, será apresentada uma nova proposta completamente diferente da que está parada no Congresso logo no início do governo. No entender de Guedes, aprovar a reforma durante a transição será “um bom fecho” para o governo Temer e isso tirará “nuvens negras” do caminho para a recuperação da economia.

“Do ponto de vista econômico é extraordinário (aprovar a reforma da Previdência). É um bom fecho para o governo anterior e desentope o horizonte de nuvens para o futuro governo. As notícias vão ser boas e o país já entra 2019 crescendo”, afirmou Guedes, nesta terça-feira (06/11) a jornalistas, pouco antes de entrar no Ministério da Fazenda para uma reunião com o titular da pasta, Eduardo Guardia. “Seria excelente para o país se conseguíssemos aprovar a reforma da Previdência e o Banco Central independente ainda na transição. Seria ótimo. Você já entrava no ano que vem com a expectativa de a economia crescer 3%, 3,5%, e teria tem pó para trabalhar as reformas estruturantes”, pontuou.

Guedes contou que chegou a um consenso com o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de que vão sondar a classe política sobre a possibilidade de aprovar a reforma atual e também o projeto de lei que trata da independência do Banco Central.  “O que estamos propondo é para aprovar essa reforma logo. Eu pelo menos sempre defendi. Aí tira essa nuvem negra do horizonte e isso sim nos dá tempo para fazermos uma transição para o novo regime trabalhista que vai criar muito mais emprego”, afirmou.

Contudo , ele reconheceu que não faz sentido para o presidente Bolsonaro entrar e pedir uma reforma que o Congresso atual não aprovaria, porque transformar um vencedor das urnas em um perdedor de um Congresso que está saindo. “Por isso, o peso maior da decisão é do próprio Congresso atual. Quem foi reeleito já limpa a pauta e entra para votar uma pauta mais positiva (no ano que vem). E quem não foi reeleito vai para casa com o senso de missão cumprida”, justificou.

O futuro ministro pontuou que, no ano que vem, o novo governo não pretende aproveitar a proposta atual, caso o cálculo político é de uma derrota da proposta atual. “Se é um governo novo e vamos ter o ônus de aprovar uma reforma que está quase pronta. Porque vamos ter pressa em aprovar isso e porque vamos dar o bônus para o governo que está aí. Vai ter que mudar. Vamos ter uma reforma diferente”, afirmou, acrescentando que o país perderia pelo menos um ano para no processo de aprovação da nova reforma.

Para o futuro ministro da Economia, é “desejável” aprovar a reforma previdenciária ainda este ano, para que o novo governo inicie uma nova reforma, bem diferente da proposta por Temer, com um novo sistema de capitalização, desonerando a folha de pagamentos e mais ampla do que a atual e que passará a valer para quem entrar no mercado de trabalho.  “Do ponto de vista econômico estamos muito atrasados há décadas nessa reforma. Se ela tivesse sido feita há dez anos, o Brasil estava crescendo 4% a 5% ao ano. Como não fizemos isso, a economia está travada e cheia de problemas fiscais”, destacou.

A princípio, Guedes afirmou que sua prioridade de são três: reforma da Previdência, reforma da Previdência e reforma da Previdência. “As prioridades são claras: controlar os gastos públicos e fazer uma transformação, uma reforma do Estado”, disse ele, acrescentando que a proposta dele é bem diferente da que está no Congresso.

“Ela é mais profunda e abre espaço, inclusive, para um enorme aumento de empregos porque é uma reforma que transitando para o regime de capitalização. O regime atual tem vários problemas. Ele tem o problema da demografia, tem o problema da bomba demográfica a bordo. O segundo problema é a forma de financiamento por encargos que incidem sobre a folha de pagamento. Isso é uma arma de destruição em massa de empregos. São dezenas de milhões de desempregados porque os encargos são cobrados na folha de pagamento. Para criar um emprego, você destrói outro. Isso é um problema sério. E o quarto problema é que ele não leva recursos para o futuro. O jovem entra no mercado de trabalho para pagar a Previdência e aquele recurso não é capitalizado. O quinto problema é a forma de gestão. Ela poderia ser mais eficiente”, explicou.

Ao ser questionado sobre a dúvida do presidente eleito sobre o regime de capitalização, Guedes minimizou a pergunta e disse que “é absolutamente natural a desconfiança” do presidente e da classe política. “É muito natural que as pessoas falem em fazer a transição com calma. É natural que pessoas que não conhecem o assunto profundamente tenham dúvidas”, disse. Guedes reforçou que o país está muito atrasado na reforma. 

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