Publicidade

Correio Braziliense

Onyx Lorenzoni se irrita ao defender perfil para ministro do Meio Ambiente

Governo sustenta que o futuro ministro seja alguém que combata a "indústria das multas" e a "ideologia no setor"


postado em 12/11/2018 19:10 / atualizado em 12/11/2018 19:19

(foto: Mauro Pimentel/AFP)
(foto: Mauro Pimentel/AFP)

O ministro Extraordinário Onyx Lorenzoni (DEM-RS), coordenador do governo de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), saiu em defesa do perfil almejado para o ministério do Meio Ambiente. Irritadiço com questionamentos da imprensa, criticou os altos valores de multas aplicadas como sanções a infrações às leis ambientais e sustentou que o Brasil tem uma taxa de 31% de preservação das matas. Segundo ele, é um dos países que mais cuida da vegetação nacional, ao contrário de países europeus, como a Noruega e a Holanda, citados pelo auxiliar.

As declarações do ministro vão em linha com a avaliação do perfil defendido por Bolsonaro ao titular do Ministério do Meio Ambiente. O presidente eleito sustenta que o futuro ministro seja alguém que combata a “indústria das multas” e a “ideologia” no setor. O governo defende que haja a união entre produção agropecuária e sustentabilidade. “Estamos debruçados sobre o tema. Temos uma linha e o presidente vai receber nomes sobre uma série de questões que ele mesmo falou”, disse Lorenzoni. 

O futuro ministro do Meio Ambiente será definido por meio de sugestões da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), indicada ao ministério da Agricultura. Nesta terça-feira (13/11), ela se reúne com Bolsonaro para debater o tema. O indicado terá como missão revisar as medidas infracionárias. Segundo Lorenzoni, empresas foram multadas em R$ 14 bilhões por crimes ambientais. No processo, organizações não governamentais (ONGs) ficam com 40%. “Vamos preservar o país, mas não dá para vir uma ONG dizer o que podemos fazer”, declarou. 

Questionado se o governo permitirá reduzir o percentual de matas preservadas, Lorenzoni refutou com um tom irritado. “Claro que não. Seria uma irresponsabilidade escrever ou falar isso. Porque primeiro nós vamos preservar o Brasil, mas com altivez”, disse. De acordo com o ministro, o Brasil preservou “uma Europa inteira” territorialmente. “A Noruega precisa aprender com os brasileiros, e não a gente com eles”, disse. Após isso, saiu irritado e abandonou a coletiva de imprensa. 

Previdência

O ministro Extraordinário sugeriu que a reforma da Previdência pode ficar para 2019. Ressaltou que quase 250 deputados não conseguiram se reeleger e disse que o cenário é “complexo”. “Sabemos que a sociedade espera uma proposta que seja duradoura, com respeito às pessoas e seja feita com calma e tranquilidade. Mas a decisão é dele (Bolsonaro). Todos têm consciência de que seria ótimo conseguir um pequeno avanço, mas temos que ter clareza”, justificou. 

Falta clima político para se aprovar a reforma da Previdência, sustenta Lorenzoni. O ambiente conturbado para se levar adiante o tema no Parlamento foi endossado nesta segunda pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem o ministro se encontrou. “Há dezenas de parlamentares que avaliam que o cenário não é favorável para qualquer questão no cenário e modelo que está lá, por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC)”, declarou. 

O cenário para se discutir uma reforma da Previdência infraconstitucionalmente, ou seja, sem mexer na Constituição, é uma alternativa. Mas, pelo que sugeriu Lorenzoni, sem muito apelo. “Nós estamos recebendo contribuições. Estão sendo conversadas e serão apresentadas amanhã ao futuro presidente”, declarou. O auxiliar de Bolsonaro ressaltou, contudo, que a tendência é que essas medidas também possam ficar para 2019. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade