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Correio Braziliense

ARTIGO: Verdadeiro ou falso


postado em 14/11/2018 09:48

(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
 
Uma das brincadeiras mais frequentes na infância de muitos de nós, pelo menos na minha geração, era o telefone sem fio. Quando um cochichava uma palavra ou frase em voz alta. Frequentemente, a palavra não era a mesma que o primeiro havia passado adiante. Ali era tudo brincadeira. Mas serve para ilustrar como a distorção da informação é coisa antiga e como pode ser fácil disseminar algo errado. Sobretudo quando se tem uma ferramenta tão poderosa chamada internet, que permite a comunicação via redes sociais e aplicativos de compartilhamento de mensagens, como o WhatsApp.

Distante da inocência das crianças, corre faceira uma prática nefasta: espalhar fake news. Extremamente perigosa, pode interferir em eleições, abalar reputações e contribuir para tornar verdadeiro aquilo que é falso. Há, em curso, por exemplo, uma perigosa campanha difamatória em relação às vacinas, o que pode levar ao retorno de doenças erradicadas ou mesmo ao aumento da ocorrência de enfermidades graves.

Na última sexta-feira, recebemos no auditório do Correio Braziliense, para uma palestra impactante, a jornalista americana Christine Bragale, que milita em defesa da educação digital, participando de uma ONG que ensina estudantes dos Estados Unidos a reconhecerem uma notícia falsa. Distinguir a informação verdadeira da falsa é tarefa hoje em dia das mais complexas. Segundo ela, com base em estudos, é possível dizer que uma informação falsa tem 70% mais chance de ser compartilhada do que uma verdadeira. E aí, meus caros, só educação digital é garantia de um filtro eficiente. E isso deve começar de fato na infância.

O domínio das notícias falsas e a clara tentativa de desmoralizar a mídia, especialmente por parte de governantes e políticos avessos à democracia, ainda não ganhou o espaço necessário nas discussões profundas da sociedade. É preciso urgentemente pautar o tema e encontrar soluções para brecar o funcionamento de uma infinidade de máquinas potentes de criar fake news, inclusive aplicativos.

O brasileiro caiu no conto das notícias falsas. Mais vale espalhar o que chega na roda de conversas do WhatsApp do que uma informação confiável produzida pelo jornalismo sério. Não compactue com essa prática. Aprenda e ensine a compartilhar o verdadeiro.

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