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Correio Braziliense

Caiado pede a Bolsonaro empréstimo do Banco Mundial aos estados

Declarações foram dadas após café da manhã com o presidente eleito. De acordo com Caiado, pelo menos 14 estados estão com grave dificuldade fiscal


postado em 14/11/2018 11:53

Apesar da iniciativa, Caiado citou que o os estados enfrentam barreiras para terem o aval do governo federal na negociação de empréstimos(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Apesar da iniciativa, Caiado citou que o os estados enfrentam barreiras para terem o aval do governo federal na negociação de empréstimos (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

O governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), afirmou que discute com o governo de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) a possibilidade de os estados pegarem empréstimos com o Banco Mundial. Segundo ele, as medidas seriam fundamentais para ajudar nas contas de cada governo regional, que passam por problemas fiscais. 

As declarações foram dadas após café da manhã com o presidente eleito. De acordo com Caiado, pelo menos 14 estados estão com grave dificuldade fiscal. “Situação onde chegamos ao ponto de não ter mais pagamento da folha dos servidores públicos, crise na saúde e também na segurança pública”, disse. “Nós temos alguns economistas que estão analisando a possibilidade de um financiamento pelo Banco Mundial. Nesse assunto nós não avançamos, até porque é uma tese que nós temos que nos debruçar mais sobre ela”, completou. 

Apesar da iniciativa, ele citou que o os estados enfrentam barreiras para terem o aval do governo federal na negociação de empréstimos. “Hoje apenas um estado é letra A, que é o Espírito Santo. Outros estados são letra B e 14 estados, se não me engano, são letra C. Ou seja, são estados que estão reprovados dentro da avaliação feita dentro do Tesouro Nacional e, como tal, não tem garantias e nem condições para obter qualquer empréstimo”, afirmou o governador eleito. 

A autorização ou reprovação consta em legislação com base no endividamento dos estados. Para a liberação, a norma deveria ser revista. Segundo Caiado, os governos regionais estão “buscando uma saída” para que a União possa “socorrer” e buscar “qualquer tipo de renegociação” com os estados. 

Mesmo assim, Bolsonaro afirmou, durante o encontro, que a situação fiscal do governo federal também é preocupante, sendo necessária a adoção de medidas duras e austeras. Na última terça-feira (13/11), o presidente eleito se demonstrou pouco suscetível a negociações. “O que eles querem eu também quero: dinheiro'”, destacou. 

O futuro governador de Goiás disse, porém, que é possível chegar no meio termo. “Nós entendemos que tem que ser uma parceria de mão dupla. Os estados também vêm fazendo a tarefa de casa, cortando gastos, diminuindo a estrutura da máquina, e, cada vez mais, buscando eficiência e transparência nessa gestão”, alegou. 

Reajuste do Judiciário


Perguntado sobre o reajuste dado aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem efeito cascata em todo o Judiciário, Caiado apontou que vê o tema com preocupação. “Eu acho que, nessa hora, quando você encara um país com 13 milhões de desempregados, crise em vários setores da economia e quando tem uma situação de que não pode reajustar salários, não é correto que seja feito um aumento de 16% a um Poder que já tem garantias constitucionais de estabilidade”, defendeu o governador eleito. 

Ele citou que o mais prudente seria adiar o “reajuste inoportuno”. “Só no meu estado de Goiás, onde eu vou assumir a partir de 1º de janeiro, esse acréscimo poderá chegar a R$ 800 milhões (por ano) na folha de pagamento. Isso é um impacto importante de um estado que não tem sequer a condição de pagar os salários dos últimos dois meses”, disse Caiado. 

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