Publicidade

Correio Braziliense

Políticos que não se reelegeram fazem planos, da universidade ao diretório

Figuras importantes da política que não conseguiram se reeleger traçam planos para o próximo ano. Enquanto alguns voltarão às salas de aula e aos escritórios, outros não deixarão de lado a liderança dos partidos


postado em 18/11/2018 08:00

Eunício Oliveira, Romero Jucá, do MDB, e Miro Teixeira, da Rede, se preparam para a vida sem mandato legislativo no próximo ano(foto: Jonas Pereira/Agência Senado; Mauro Pimentel/AFP; Minervino Junior/CB)
Eunício Oliveira, Romero Jucá, do MDB, e Miro Teixeira, da Rede, se preparam para a vida sem mandato legislativo no próximo ano (foto: Jonas Pereira/Agência Senado; Mauro Pimentel/AFP; Minervino Junior/CB)
Eunício Oliveira, Chico Alencar, Romero Jucá, Miro Moreira. Essas foram algumas das conhecidas figuras da política que não conseguiram se reeleger e que ficarão sem mandato a partir do próximo ano. Com trajetórias ascendentes, principalmente na época da redemocratização, e atuantes nas tribunas há vários mandatos, todos precisarão seguir novos — ou nem tão novos — caminhos. Chico Alencar, deputado do PSol, que atua na política desde 1989, deve voltar às salas de aula da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como professor de história. E Eunício Oliveira, atual presidente do Congresso pelo MDB do Ceará, terá mais tempo para dar atenção aos negócios, à fazenda no interior goiano e ao partido.

As eleições de 2018 não foram propícias aos políticos mais experientes. Com raras exceções, os protagonistas foram novatos, como é o caso de Joice Hasselmann (PSL-SP), que disputou a primeira eleição e foi a deputada mais votada da história, e de Marcel Van Hattem, jovem que se candidatou pelo Novo, no Rio Grande do Sul, e liderou a votação no estado. Nesse cenário, nem a extensão do currículo político nem a influência nos diretórios das então grandes legendas asseguraram a permanência de caciques políticos.

É o caso de Eunício Oliveira. O senador, que não descarta futuras tentativas de se eleger, ficou em terceiro lugar no pleito, atrás de Cid Gomes, do PDT, e de Eduardo Girão, do Pros. A partir do ano que vem, disse que vai se recolher à vida pessoal. “Em 1997, eu saí da gestão das empresas que eu tinha e me dediquei inteiramente à vida pública por 20 anos. Sempre morei em Brasília, mas ia toda quinta ao Ceará e voltava no domingo, toda semana, insistentemente. E você termina se habituando”, explicou.
 
Mas, engana-se quem pensa que o cearense vai largar a política. “Para a política e para o amor, dizia meu pai, a gente nunca diz jamais. Tenho 65 anos, entrei com 40 e poucos. Acho que dei uma boa contribuição ao meu estado e ao meu país”, disse. E acrescentou: “Como sou da direção nacional do partido, vou continuar. Vou aproveitar o tempo de folga para dar uma repaginada no partido. E, claro, vou viver a vida. Não estou amargo”.

Outro emedebista que continua dando as cartas na política no ano que vem, mesmo sem mandato, é o senador Romero Jucá. Ele teve o mandato de presidente do MDB prorrogado até setembro de 2019 e, até lá, continua como líder da legenda. “Tomamos uma decisão por unanimidade de levar a convenção para 4 de setembro, porque é o tempo necessário para avaliarmos as eleições, o momento político, o quadro dos estados. Política se faz com tranquilidade, cabeça fria, planejamento. Nós vamos neste período discutir o rumo do MDB e como vamos caminhar neste momento de reconstrução dos partidos mais antigos”, contou. Jucá disse ainda que “tem muitas coisas para concluir” e que “depois vou avaliar o que conduzir na vida pessoal”.

De volta às carreiras

Com 11 mandatos no currículo e breve passagem pela chefia do Ministério das Comunicações, o deputado Miro Teixeira também ficou sem cargo para o ano que vem. A derrota não o fez parar. Ele, que, além de jornalista, é advogado, aos 73 anos, retoma as atividades jurídicas em escritório próprio. “Já estou trocando os móveis para começar. Não podemos parar de trabalhar”, disse. Com essa disposição, o deputado da Rede trata com naturalidade a negativa nas urnas.

“A melhor coisa é virar a página. ‘Mandatos acabam’”, conta ele, lembrando-se da citação de Ulysses Guimarães. Miro Teixeira também mostra otimismo em relação ao novo governo. “Eu tenho desejo de sucesso absoluto ao governo. Tinha minha candidata: Marina Silva. Mas, agora, espero que Bolsonaro seja bem-sucedido”, deseja.

Assim como ele, retoma as atividades que tinha encerrado devido à atuação política o psolista Chico Alencar. Forte nome dentro do partido, perdeu as eleições que disputava para ocupar um assento no Senado Federal pelo Rio de Janeiro. Ganharam, no estado, Arolde de Oliveira, do PSD, e Flávio Bolsonaro, do PSL. “Todo mundo diz que se eu tivesse disputado para deputado seria reeleito. Mas não me arrependo. A bancada (do PSol) pulou de quatro para dez. A dinâmica da Câmara, depois de quatro mandatos, estava ficando meio enfadonha. Já o Senado teria um novo entusiasmo. Mas não deu. Saber perder é tão importante como saber ganhar”, confessou.

Alencar, que não aderiu à previdência parlamentar, agora retoma as atividades como professor universitário. “Eu sou professor da UFRJ com a carreira interrompida para exercer o mandato. Só tenho mestrado e, consequentemente, salário bem pequeno. Como não tive tempo de parar, preciso pensar ainda. Mas minha intenção é voltar para universidade, retomar o projeto de doutorado e voltar a estudar”, disse. “Talvez trabalhar com algum projeto de educação popular. Falta para esquerda o retorno a esse trabalho, e essas eleições mostraram que nós perdemos uma disputa de ideias”, completou.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade