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Correio Braziliense

Bloco de oposição a Bolsonaro no Congresso estaria dividido

No próximo ano, bloco de cinco partidos deverá atuar, independentemente dos petistas; na Câmara, o que pode reduzir a resistência em relação ao governo. No Senado, quadro de fragmentação é ainda mais forte


postado em 19/11/2018 06:00

"Os partidos de esquerda não ficaram felizes com a declaração do PT de que há um comandante da oposição. Faremos um bloco amplo, que já tem diálogo avançado com o PDT e PC do B, e poderá reunir o PPS e o PV", Carlos Siqueira, presidente do PSB (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, vai enfrentar resistência no Congresso no ano que vem por parte da oposição. A intensidade vai depender, entre outros fatores, do tipo de arranjo a ser definido. Divisões no grupo indicam poder de fogo menor do que poderia ser esperado.

A maior bancada eleita na Câmara dos Deputados é do PT, partido que disputou o segundo turno contra  o PSL, de Bolsonaro. No entanto, a sigla está sendo isolada pela formação de uma frente ampla com partidos da esquerda, como PSB, PDT, PC do B, Rede, PV e PSol. A ideia é que a oposição mantenha diálogos com o futuro governo, mas faça resistência às pautas unânimes entre eles.

De acordo com o líder do PC do B, o deputado Orlando Silva (SP), e com o líder do PDT, o deputado Tadeu Alencar (CE), as siglas formarão uma bancada da oposição na Câmara. A legenda presidida por Gleisi Hoffmann, contudo, deverá ficar de fora, fazendo contato só quando necessário. Ambas as lideranças afirmam que ter o PT por perto pode ser uma opção vantajosa, pela história de luta e resistência. O afastamento entre os demais partidos da esquerda com a sigla petista ocorreu depois que o PT afirmou que deveria centralizar a liderança da frente de oposição.

“Vamos ouvir primeiro as bancadas dos parlamentares das suas Casas e vamos partir para negociações com forças políticas que defendem a manutenção da democracia. Os partidos de esquerda não ficaram felizes com a declaração do PT de que há um comandante da oposição. Faremos um bloco amplo, que já tem diálogo avançado com o PDT e PC do B, e poderá reunir o PPS e o PV”, disse Carlos Siqueira, presidente do PSB.

O que uniu os partidos foram as convergências políticas. Mas garantem que não vão “obstruir por obstruir”. Decidiram ser oposição ao governo e às pautas pela eleição de Bolsonaro, um candidato da extrema direita. O objetivo é não inviabilizar o governo, nem fazer uma “oposição sistemática”. “O PT é muito importante. Temos de manter um canal aberto com esse partido, mesmo que queiram ter controle sobre algo que não é devido. Todos os partidos que quiserem se unir contra Bolsonaro serão bem-vindos”, disse um assessor do PDT.

Obstruções

Já no Senado Federal, a oposição agirá de forma ainda mais fragmentada. A ideia é não formar uma frente organizada, mas deixar que cada partido articule a obstrução e, no fim, ser condizente com as mesmas propostas. “Não será muito organizado, porque têm vários veteranos que fazem política. A ideia é fazer cada bancada por si só e só se reunir quando for um assunto em comum”, afirmou uma liderança da Casa. No entanto, ela destacou que o diálogo com o PT não está entre as prioridades dos parlamentares. Criticam o posicionamento da legenda quanto ao poder. “Não seremos só muletas”, completou.

Cogita-se, ainda, abrir o leque de negociação e mobilização com partidos de centro, como o PSDB. O líder da Rede na Casa, senador Randolfe Rodrigues, se reuniu na semana passada com o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, para articular essa movimentação. Ele quer oficializar o bloco contra o governo com a presença do partido de FHC. Há, contudo, divergências entre os parlamentares. Alguns afirmam que dependerá do resultado da Presidência da Casa. “Pautas em comum surgirão e, se houver um bom diálogo, a frente pode aumentar. Mas dependerá de quem presidir o Senado”, pontuou um líder tucano.

Campanha de Haddad deixa dívida de R$ 3,8 mi

O candidato à Presidência derrotado Fernando Haddad (PT) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter arrecadado R$ 35,4 milhões durante a campanha. De acordo com os documentos enviados à Justiça Eleitoral, as despesas somaram R$ 39,2 milhões, sendo que R$ 33,6 milhões foram efetivamente pagos. A dívida de campanha chega a R$ 3,8 milhões, que, de acordo com o Diretório Nacional do PT, será assumida pelo partido. A legenda afirma que o saldo devedor será quitado “via fundo partidário ou com recursos que serão depositados na conta bancária específica de campanha, observados os requisitos da lei eleitoral”. O prazo final para entregar as informações sobre as contas do período eleitoral terminou ontem. Para os eleitos serem diplomados, inclusive o presidente, é necessário que as contas sejam julgadas.

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