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Correio Braziliense

Mandetta sobre Mais Médicos: improvisações em saúde costumam terminar mal

Para o futuro ministro da Saúde, a saída dos médicos cubanos era um "risco" alertado desde o princípio


postado em 20/11/2018 16:50 / atualizado em 20/11/2018 16:52

(foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados)
(foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados)
O futuro ministro da Saúde, deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), afirmou que as "improvisações em saúde costumam terminar mal", respondendo pergunta sobre o programa Mais Médicos. De acordo com ele, a saída dos profissionais cubanos do país era um "risco" alertado desde o princípio, porque era um convênio terceirizando uma mão de obra essencial. As declarações foram dadas na tarde desta terça-feira (20/11) no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde ocorrem as reuniões do governo de transição. 
 
Na interpretação de Mandetta, os critérios estabelecidos para a criação do Mais Médicos parece muito mais um "convênio entre Cuba e o PT do que entre Cuba e o Brasil". "Não houve tratativa bilateral e, sim, uma ruptura unilateral", defendeu. "Era um risco que a gente já alertava no início. As improvisações em saúde costumam terminar mal, e essa não foi diferente das outras", completou.  
 
Mandetta disse que vai tomar medidas juntos com o governo atual de Michel Temer. "Uma das primeiras ações é fazer a reunião com o ministro (Gilberto) Occhi e com a equipe do atual governo para vermos quais são os impactos que as sugestão deles podem trazer e se temos outras a acrescentar", declarou. "Nós estamos aguardando o momento certo para saber agora para saber quais são as medidas do governo Temer para nós vermos quais são os impactos que possam vir a partir do início de janeiro", acrescentou o futuro ministro. 

Revalida

Sobre o Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos), Mandetta declarou que ainda vai discutir como será feita a verificação da capacidade dos profissionais de atender as pessoas. "Todas essas questões a gente vai ter que reunir tanto com o governo atual, porque são eles que estão fazendo as redações, como também com aquelas autarquias federais, como é que elas vêm a possibilidade de se fazer avaliação em serviços. Há possibilidade de fazer uma série de medidas aonde você possa ao mesmo que tempo resguardar a população, dar garantias da qualidade daquele profissional. O objetivo é esse, agora, qual as ferramentas que vão ser utilizadas isso vai ser definido após ampla discussão do setor", defendeu o novo ministro. 
 
Uma das exigências feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro aos médicos cubanos é a necessidade de revalidação dos profissionais. Mandetta disse que há várias maneiras de revalidar e criticou o formato atual da realização da prova. "Não é obrigatório o revalida", disso. "Você também tem críticas a essa proposta, porque é uma prova única de conhecimento único. As vezes pega um profissional de 20, 30 anos de formado e cobra um grau de conhecimento de um recém formado. O que nós queremos dizer com o revalida é revalidar, saber quem é, o que estudou, o que falta de lacuna para atender o povo brasileiro, qual o grau de competência e aqueles que vierem, aonde é que nós podemos fazer o filtro para que a sociedade possa se proteger", destacou Mandetta. 

Acusações

Mandetta é médico ortopedista e foi secretário da Saúde em Campo Grande (MS) entre 2005 e 2010, na sua cidade natal. O deputado também foi tenente e trabalhou no Hospital Militar. 

Ele é o terceiro parlamentar do DEM a ser chamado para o governo de Bolsonaro e o segundo do Mato Grosso do Sul. Ele foi deputado federal por dois mandatos. 
 
O parlamentar é acusado de fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois durante o período que foi secretário de Saúde do Mato Grosso. Sobre as acusações, o novo ministro disse que teve muito orgulho de sua atuação como secretário. "Trabalhamos durante cinco ano. Nunca decretamos estado de emergência, nunca aditivamos nenhum contrato, nunca desabastecemos a rede, batemos todos os recordes de desempenho", afirmou. "O projeto sofreu uma ruptura por parte da prefeitura que entrou em 2013 e foram demitidos todos os técnicos. O projeto ficou sem condições de dar continuidade por interrupção administrativa. Não renovaram o contrato. E um deputado, enfim, do partido de oposição, resolveu fazer ali todas essas denúncias. A gente se ente desconfortável, mas quem é uma pessoa pública tem que se submeter a essas situações", alegou o futuro ministro. 
 
Ele será incumbido de "reorganizar" o Sistema Único de Saúde (SUS). "É uma luta de toda a nação", enfatizou. De acordo com Mandetta, vários agentes do setor, desde agentes comunitários a enfermeiros estavam presentes na cerimônia. "Pela primeira vez um presidente que chamou o setor e dialogou com o setor para iniciar os trabalhos de recuperação da saúde pública brasileira", completou

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