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Correio Braziliense

Associações ligadas à saúde comemoram a escolha do novo ministro

Luiz Henrique Mandetta vai assumir a pasta. O 10º ministro confirmado diretamente por Jair Bolsonaro também é o terceiro filiado do Democratas a se juntar à equipe do presidente eleito


postado em 21/11/2018 06:00 / atualizado em 21/11/2018 15:34

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou que Mandetta só será desligado do governo se houver uma denúncia: 'Nem é réu ainda'(foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição)
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou que Mandetta só será desligado do governo se houver uma denúncia: 'Nem é réu ainda' (foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição)

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), bateu o martelo e indicou o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM) para o Ministério da Saúde. É o terceiro indicado do Democratas e o 10º ministro confirmado diretamente pelo pesselista. Até o início do dia, eram oito integrantes. O outro auxiliar confirmado é o ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, que será reconduzido ao cargo. É o único ministro do presidente Michel Temer (MDB) que deve permanecer no posto.

Aos 10, somam-se o secretário-geral do governo de transição, Gustavo Bebbiano (PSL), que tem auxiliado na articulação política. O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), sugeriu que ele comandará a Secretaria-Geral da Presidência da República. O nome não foi confirmado por Bolsonaro, mas dá a sinalização de que o primeiro escalão da equipe ministerial do próximo governo já conta com 11 nomes.

Os dois novos ministros indicados contam com bagagem técnica para os respectivos cargos e têm similaridades com a carreira militar de Bolsonaro, capitão reformado do Exército. Rosário foi capitão do Exército, é um especialista em combate à corrupção e foi o primeiro servidor de carreira da CGU a assumir o cargo de secretário-executivo e ministro da pasta. Mandetta é médico ortopedista pediátrico e foi tenente médico no Hospital Geral do Exército. Exerceu atividades na saúde pública e suplementar de Campo Grande antes de entrar na carreira política. Foi, por sinal, a experiência no Congresso que sacramentou a indicação.

A indicação de Mandetta tem respaldo da Associação Médica Brasileira (AMB), do Conselho Federal de Medicina (CFM), do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB). Porém, o que pesou para Bolsonaro foi o sinal verde da Frente Parlamentar da Saúde. “A escolha foi da bancada da saúde da Câmara, das Santas Casas do Brasil, das mais variadas entidades médicas de todo o Brasil. A exemplo da agricultura, eu acolhi a indicação dessas entidades que querem uma saúde realmente diferente, e fiz a escolha do Mandetta”, disse Bolsonaro.

Apesar dos apoios políticos e técnicos, Mandetta tem no histórico suspeitas de fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois na implementação de um sistema de prontuário eletrônico em Campo Grande, quando foi secretário de Saúde da capital sul-mato-grossense, entre 2005 e 2010. O deputado se mostrou tranquilo em relação às investigações. Ele frisou que não é réu em nenhum processo e que, caso venha a ser, apresentará as explicações a Bolsonaro. “Hoje, no Brasil, a gente vive esse drama de dizer que uma pessoa é investigada. Não sou réu. Não tenho ainda condição nem de saber quais são as eventuais culpabilidades impostas a mim. Quando for, e se for o caso, apresento ao presidente (as explicações)”, declarou.

Com a indicação sob a mira de críticas, Bolsonaro procurou jogar panos quentes. Acobertou o ministro, ressaltando que ele não é réu, nem condenado, mas deixou claro que, em caso de denúncia “robusta”, ele será desligado do governo. “Tem uma acusação contra ele de 2009, se não me engano. Não deu um passo esse processo ainda, nem é réu ainda. O que está acertado entre nós é que qualquer denúncia ou acusação que seja robusta ele não fará parte do nosso governo”, afirmou.

Mesmo sendo investigado, o nome de Mandetta foi bem-recebido entre representantes de entidades ligadas ao setor. Um integrante do CFM, que pediu para não ser identificado, revela que a entidade temia que o próximo ministro não fosse alguém ligado à medicina. “É sempre mais penoso quando uma escolha política interfere numa técnica. A pasta tem muitos problemas e diversas particularidades para uma pessoa assumir sem a mínima afinidade com o tema”, justificou.

Recondução


Por outro lado, a distância de Wagner Rosário dos holofotes rendeu uma repercussão mais tímida a respeito da recondução ao cargo. Bolsonaro declarou que ele faz um trabalho exemplar. “Quem está dando certo pode continuar. Pesou realmente ter mais autoridade para conversar com todos os setores da sociedade”, declarou. Apesar de menos comentada, a indicação dele foi elogiada por Jorge Hage, ex-ministro da CGU e sócio do Hage Compliance.

Para o consultor, é positiva, pois significa a manutenção da CGU e não uma dissolução ou fusão, como chegou a ser ventilada no início do governo de transição. Hage enaltece que ele é servidor de carreira e lembra que o órgão exerce atividades de Estado, não de governo. “Logo, é muito importante que se assegure a continuidade regular do seu funcionamento, independentemente do partido político no poder”, sustentou.


Crítica ao Mais Médicos


Mandetta afirmou que o Mais Médicos precisará ser revisto porque começou errado na sua concepção. “Não deveria ter esse nome. Deveria se chamar Mais Saúde”, afirmou ele. O futuro ministro da Saúde criticou o modelo e afirmou que será preciso ser revisto porque a concepção era de um contrato entre Cuba e o PT e não entre o ministério e os médicos. “Primeiro, precisamos saber o que é boato e o que é verdade”, afirmou ele, sobre o risco de saída de 8 mil médicos cubanos do país. Mandetta, que é médico, evitou escolher uma área prioritária em sua gestão à frente da pasta. “Tudo em saúde é prioridade”.

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