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Correio Braziliense

Integrantes do PSL se reúnem com Bolsonaro para decidir sobre a Câmara

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, vai a encontro com parlamentares do PSL para diminuir o descontentamento diante de várias indicações do DEM e da falta de diálogo com a equipe de transição. Legenda quer candidato próprio na Câmara


postado em 22/11/2018 06:00

Joice Hasselmann pode assumir o posto de conciliadora e dirige conversas com líderes de outros partidos para construir um bloco suprapartidário (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
Joice Hasselmann pode assumir o posto de conciliadora e dirige conversas com líderes de outros partidos para construir um bloco suprapartidário (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )


O governo ainda não começou, mas o trabalho já. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, se encontrou ontem com os parlamentares eleitos pelo PSL com o objetivo de acalmar os ânimos. Alguns integrantes da legenda haviam mostrado descontentamento depois que um terceiro ministro do DEM foi escalado para a Esplanada. Na reunião, ele explicou ser coincidência que parte da equipe ministerial seja do Democratas e pediu paciência, garantindo que o governo ouvirá a todos. Mesmo assim, uma ala do partido saiu decidida a indicar um candidato próprio para a presidência da Câmara, algo que não estava nos planos do futuro chefe do Palácio do Planalto.

O deputado eleito Bibo Nunes (PSL-RS) sacramentou que o grupo lançará a pré-candidatura do presidente nacional do partido, Luciano Bivar (PE), à Presidência da Câmara. “Temos que ter candidato. Somos a maior bancada. O (deputado e senador eleito) Major Olimpio (SP) disse e eu aplaudi, confirmando. Luciano ficou emocionado pela deferência e disse que ia estudar. Não mostrou resistência e eu o apoio”, afirmou.

A escolha por Bivar foi encampada por Olimpio e respaldada por uma ala do PSL, mas o martelo não está batido. A decisão em lançar o presidente do partido é de alguns integrantes, não do colegiado. Uma parte defende o apoio ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e outra sustenta fazer uma costura para achar o melhor nome para a disputa. Há até quem cogite lançar a própria pré-candidatura, como o deputado delegado Waldir (PSL-GO). “Sou candidato. Somos um partido grande agora e temos que nos preparar para este novo momento, ou então, acabamos ‘tratorados’”, declarou.

O momento mais acalorado da reunião ocorreu quando Waldir e Olimpio criticaram abertamente o avanço do DEM na Esplanada dos Ministérios e a falta de comunicação entre o governo de transição de Bolsonaro e os correligionários. Olimpio declarou ter tentado, sem sucesso, contato algumas dezenas de vezes com o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM). A falta de diálogo foi uma das queixas principais. Olimpio afirmou que a senadora eleita Soraya Thronicke (PSL-MS) soube da indicação da conterrânea deputada Tereza Cristina (DEM) pela imprensa.


Gustavo Bebianno quer trabalhar de forma %u201Cintegrada%u201D e promete %u201Cestágio%u201D com Onyx Lorenzoni (foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
Gustavo Bebianno quer trabalhar de forma %u201Cintegrada%u201D e promete %u201Cestágio%u201D com Onyx Lorenzoni (foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

Além de Lorenzoni e Tereza, fecha o trio de indicados do DEM o deputado Luiz Henrique Mandetta, confirmado no Ministério da Saúde. Ontem, Onyx se defendeu e disse ser uma “coincidência” ter três ministros do partido na equipe de Bolsonaro. “Eu rompi com meu partido em termos de direção há quase dois anos para apoiar Bolsonaro, quando ninguém acreditava na vitória dele”, afirmou. O presidente nacional do DEM, ACM Neto, nega que os nomes indiquem apoio formal da sigla ao governo. “São parlamentares que reúnem todas as condições de ocupar os cargos”, avaliou, após reunião com Bolsonaro. “Foi uma primeira conversa institucional e, a partir daí, teremos uma série de desdobramentos”, completou.

“Bombeira”

A participação de Bolsonaro na reunião não estava prevista. A agenda encaminhada à imprensa contemplava outros encontros ao longo do dia, mas sem menções à bancada do PSL. Mas foi recomendado a marcar presença por correligionários da ala mais fiel a ele, capitaneada pela deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP). Bolsonaro foi alertado para os riscos de não apaziguar os ânimos, sob pretexto de comprometer até a governabilidade no Congresso.

Com os articuladores políticos, os futuros ministros-chefes da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno (Leia matéria abaixo), Bolsonaro mantém conversas com Maia. A ideia, diz uma ala favorável ao apoio a Maia, é dar suporte à recondução do democrata à Presidência da Câmara, sob a condição de que ele siga com o encaminhamento de reformas e projetos de interesse do governo eleito. Por ser alguém que transita bem entre o centro e até a esquerda, poderia ter a Câmara nas rédeas e abrir o caminho para a aprovação de matérias.

Bolsonaro deve ter que repensar a condução da política adotada até o momento, sob risco de perder apoio de Maia e de integrantes do Centrão, que cogitam lançar candidaturas próprias. Quem está se prontificando a ser uma “bombeira” para apagar o incêndio interno da legenda e ajudar o presidente eleito é Hasselmann. A deputada está em conversas com líderes de outros partidos para construir um bloco suprapartidário para definir a adesão a um único pré-candidato à Presidência da Câmara e a definição de espaços na Casa.

* Estagiário sob a supervisão de Leonardo Meireles

Conselhão dará sugestões

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Conselhão, vai apresentar na próxima quarta-feira às equipes econômicas do presidente Michel Temer (MDB) e do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), sugestões sobre reforma tributária. A meta é reforçar propostas que já vêm sendo discutidas por técnicos do pesselista. Ontem, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, externou a empresários o desejo de reduzir a carga tributária de 36% para 25% em 10 anos. A reforma tributária está sendo discutida com vários especialistas da área, incluindo o consultor jurídico Everardo Maciel e o economista Bernard Appy. O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), relator da atual reforma na Câmara, participa das negociações.

“Temos que ter candidato. Somos a maior bancada. O (deputado e senador eleito) Major Olimpio (SP) disse e eu aplaudi, confirmando”

Bibo Nunes (PSL-RS), deputado federal eleito

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