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Correio Braziliense

Registro Espúrio: segundo delator, Jefferson e Paulinho indicavam entidades

De acordo com Renato Araújo Júnior, os deputados Roberto Jefferson e Paulinho da Força enviavam listas de entidades sindicais a serem beneficiadas por servidores do Ministério do Trabalho. Ele também cita pagamento de propina feito por Bebeto Galvão


postado em 23/11/2018 14:16 / atualizado em 27/11/2018 15:46

Jefferson, Paulinho e Bebeto: os três deputados citados pelo delator(foto: ArquivoCB)
Jefferson, Paulinho e Bebeto: os três deputados citados pelo delator (foto: ArquivoCB)

Em depoimento de delação premiada, a partir de acordo com a Polícia Federal, Renato Araújo Júnior, ex-coordenador de Registro Sindical do Ministério do Trabalho, afirma que deputados federais enviavam listas de entidades sindicais que deveriam ter o registro aprovado pelo órgão. Além disso, segundo o delator, Bebeto Galvão (PSB-BA) teria pago R$ 10 mil pela aprovação de entidades.

A fraude é alvo da Operação Registro Espúrio, da PF. O esquema consistia no pagamento de propina para que os servidores da pasta aprovassem os pedidos de registro. No depoimento, Araújo Júnior conta que Bebeto Galvão (PSB-BA) fez o pagamento dos R$ 10 mil a ele e a um outro servidor em um apartamento funcional ocupado pelo parlamentar, em Brasília, no ano passado.

O delator também diz que os deputados Paulinho da Força (SD-SP) e Roberto Jefferson (PTB-RJ) enviaram listas contendo nomes de entidades a serem aprovadas. Ainda segundo consta no depoimento, prestado em junho passado e ao qual o Correio teve acesso, o esquema começou em 2016, na iminência do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Demissões

O documento, de 33 páginas, traz ainda informações sobre como o esquema era operado. Araújo Júnior diz que, caso não acatassem as indicações dos políticos, os servidores em cargos de comissões eram demitidos. A nota técnica, acrescenta o depoente, poderia ser emitida de acordo com o procedimento padrão e legal. No entanto, caso estivessem em desacordo com o interesse dos líderes do esquema, era descartada e uma nova era produzida.

Os servidores do órgão também avaliavam entidades sem influência da organização criminosa, mas, nesses casos, a chance do registro sindical ser aprovado era 50% menor, segundo o delator. A reportagem entrou em contato com os três deputados citados pelo delator e aguarda retorno.
 

Nota do deputado Bebeto Galvão

Estas informações são improcedentes. O deputado federal Bebeto (PSB/BA) sempre foi um parlamentar cumpridor dos seus compromissos sempre pautado pela moral e ética.

O deputado sempre combateu a corrupção e se destacou no Congresso pela sua forte atuação claramente definida como oposição ao Governo Federal e, portanto, nunca teve nenhuma indicação de cargos, o que evidencia que esta é uma grande mentira criada pelo delator para, de maneira desesperada, tentar de alguma forma se livrar das acusações a ele imputadas.

Em relação ao pagamento da suposta propina, o parlamentar informa também que nunca recebeu o delator em seu apartamento e que nunca pagou valor indevido a ele ou a qualquer outra pessoa. 
 

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