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Bolsonaro se diz contra o assistencialismo, mas nega fim do Bolsa Família

Jair Bolsonaro diz ser contrário aos brasileiros dependerem de assistencialismo, mas nega que acabará com Bolsa Família


O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), ainda não definiu todos os nomes para o próximo governo. O motivo é precaução. Após uma cerimônia de aniversário de 73 anos da brigada da Infantaria de Paraquedista, na Vila Militar, em Deodoro, zona oeste do Rio de Janeiro, Bolsonaro criticou o Mais Médicos, sugerindo que o programa ;destruiu famílias;. O pesselista afirmou que programas sociais serão submetidos a auditorias, e assegurou que já gostaria de ter definido todos os nomes para a equipe ministerial, mas que o critério é técnico, e não ;festa;.

O futuro governo pretende dar uma atenção especial aos programas sociais, garantiu Bolsonaro. O presidente eleito negou que pretende acabar com os projetos, mas avisou que todos passarão por auditorias. Sem citar especificamente o Bolsa Família, enfatizou que pretende fazer com que pessoas com capacidade para trabalhar estejam no mercado de trabalho, e não dependentes de medidas assistencialistas. ;Projeto social tem que ser para tirar a pessoa da pobreza e não para mantê-la num regime de quase dependência. Nós não queremos nenhum brasileiro dependendo do Estado;, afirmou.

Depois de ser cobrado pela bancada evangélica quando veio à tona o nome do professor Mozart Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna, para o Ministério da Educação, Bolsonaro percebeu que precisa dialogar mais com o Legislativo e entidades representantes de setores da sociedade. ;Para divulgar os outros ministros, ainda falta a gente conversar com aqueles que pretendemos colocar. Todos os ministérios são importantes, isso tem que ser muito bem discutido. A gente não pretende anunciar os nomes e, depois, lá na frente, trocá-los;, justificou.

A escolha de um ministro, definiu Bolsonaro, é ;igual a um casamento;. ;Você pode namorar muitas pessoas, mas ficar noivo e casar, só com uma, é isso que queremos;, disse. O critério, garantiu o presidente eleito, é técnico. ;Não é festa. Não estou lá para fazer um governo como os anteriores. Não vou jogar cargo para cima e quem se jogar na frente pega;, explicou. O pesselista, no entanto, negou que tenha sofrido pressão da bancada evangélica ou do DEM para indicação de ministérios.

Polêmica

O presidente eleito não fugiu da polêmica sobre as mudanças no Mais Médicos, após Cuba desfazer a parceria com o Brasil, e criticou o programa, instituído no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. ;Há muitos cubanos que têm famílias lá em Cuba e já constituíram famílias aqui. Esse projeto destruiu famílias. Também tem muita mulher cubana que está aqui há um ano sem ver o seu filho. Isso é mais do que tortura. É um ato criminoso praticado pelo governo de Cuba e pelo desgoverno do PT;, acusou.