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Correio Braziliense

Brasil e Holanda estreitam relações para internacionalização de empresas

Em evento na capital, representantes dos países expressaram interesse pela intercâmbio de startups


postado em 26/11/2018 17:52 / atualizado em 26/11/2018 18:27

(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
  
O Itamaraty planeja estreitar relações entre startups brasileiras e a embaixada da Holanda, na intenção de promover internacionalização de micro, médias e grandes empresas. Nesta segunda-feira (26/11), durante um evento com o embaixador do Reino dos Países Baixos no Brasil, Kees van Rik, e o chefe substituto da Divisão de Ciência e Tecnologia (DCTEC) do Ministério das Relações Exteriores, Luis Fernando Machado, os representantes das instituições demonstraram o interesse e reconheceram a importância em valorizar o intercâmbio entre os países. 

"Vamos trabalhar para facilitar que empreendedores comecem a trabalhar na Holanda com condições específicas", disse o embaixador estrangeiro. Segundo Kees, dar a importância para a abertura de oportunidades para empresas estrangeiras deve ser uma prioridade para todos os países que tem intenção de avançar em tecnologia.

Machado, do Ministério das Relações Exteriores, os ecossistemas de startups dos dois países têm muito a se beneficiar com a parceiria. "A Holanda, hoje, fica no segundo lugar em inovação", explicou. Ele lembrou que o Brasil também tem o seu próprio mérito na área de startups e inovação. "As nossas startups estão se destacando internacionalmente pela capacidade dos brasileiros de encarar os problemas por outros ângulos", ressaltou. 

O projeto Bradutch – que busca concretizar esse processo de internacionalização – foi criado, então, para auxiliar as empresas interessadas em como fazer esse processo de transição. Para a diretora do projeto em Brasília, Joyce Dias, a "ideia é não ser só um apoio para a internacionalização". "Nossa ideia é oferecer uma assistência desde o início para as startups", frisou.

O diretor da Bradutch no Ceará, Tiago Furtado, também compareceu ao evento e reforçou a importância da inovação para um país. "O mercado desse ecossistema deixa de ser o Brasil, passa a ser o mundo. Quando algumas pessoas têm uma grande ideia, apoio correto, elas crescem e inovam", disse. 

Segundo o presidente da Associação de Startups e Empreendedores Digitais do Brasil (ASTEPS), Hugo Giallanza, o Brasil passa por um problema geográfico na hora de expandir empresas. "Quando você cria uma empresa na Europa, ela já é internacional. Aqui os nossos empreendedores enfrentam o paradigma de expandir para o bairro vizinho. No máximo, o estado vizinho", afirmou. Para ele, a dimensão continental do Brasil é um dos principais motivos para que isso aconteça. Gialanza defendeu, no entanto, que é, sim, possível internacionalizar as empresas. "Em Brasília, nós somos privilegiados. Temos várias embaixadas no nosso quintal", disse, ao encorajar as relações entre startups com as embaixadas em prol da internacionalização de empresas. 

Giallanza reforçou que a internacionalização acrescenta muito para os dois países envolvidos. "Essa multidisciplinaridade de conhecimento é muito rica para o desenvolvimento de projetos. Em Brasília, temos em torno de 400 startups. Espero ser surpreendido pelo novo censo que está sendo preparado e, daqui para frente, gostaria de provocar a criação de uma missão técnica para que a gente possa vivenciar O que há de melhor nas terras lá fora e trazer essas experiências para as empresas brasilerias", acrescentou. 

Cuidados


A internacionalização, no entanto, precisa de cuidado antes de ser feita. Caso sejam tomados os passos errados, o resultado pode levar até a falência de uma empresa. A coordenadora de internacionalização da ApexBrasil, Paula Borges Akitaya, explica que as principais motivações para as empresas irem para fora são o acesso ao mercado, o acesso aos recursos e o acesso à ativos estratégicos. "Nas nossas pesquisas, a maior aprte das empresas respondeu que busca mercado lá fora", informou. Ela indicou que os principais países marcados como alvo pelas empresas brasileiras ainda circulam entre os Estados Unidos da América e países da América do Sul. 

Akitaya alerta, no entanto, para as empresas que forem iniciar um processo de internacionalização sem um certo preparo. "Um equívoco clássico é quando uma empresa que começou recentemente e procurou, já na fase operancional, por ajuda. Ele não analisou se a estratégia coorporativa dele, de fato, precisava de uma internacionalização", disse. Ela explicou, ainda, que abrir uma empresa fora, é fácil, o problema é não seguir os passos certos. "Ou seja, antes de abrir a empresa e registrar ela lá fora é importante conferir se a estratégia está aliado com o que busca a empresa", recomendou.
 
*Estagiário sob supervisão de Anderson Costolli

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