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Correio Braziliense

Governador Luiz Fernando Pezão é preso em operação da Polícia Federal

Luiz Fernando Pezão (MDB) é investigado por suposto envolvimento em recebimento de propina


postado em 29/11/2018 06:37 / atualizado em 29/11/2018 11:29

Pezão teria recebido propina durante a gestão de Sérgio Cabral, enquanto era vice-governador(foto: Mauro Pimentel/AFP)
Pezão teria recebido propina durante a gestão de Sérgio Cabral, enquanto era vice-governador (foto: Mauro Pimentel/AFP)
O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (29/11), em uma operação da Polícia Federal. Outros oito mandados de prisão foram expedidos (veja a lista de suspeitos abaixo). Pezão é acusado de receber dinheiro desviado durante sete anos em que foi vice-governador nos mandatos do então governador Sérgio Cabral, entre 2007 e 2014.

 

O governador recebeu voz de prisão no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do estado. A operação da Polícia Federal é um desdobramento da Lava-Jato e é resultado da delação premiada de Carlos Miranda, apontado como operador da quadrilha chefiada por Cabral. 

O mandado de prisão de Pezão foi expedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a relatoria do ministro Felix Fischer, a pedido da procuradora-geral da República Raquel Dodge. Segundo a chefe do Ministério Público federal, a prisão foi necessária porque Pezão e os demais envolvidos continuavam praticando o crime de lavagem do dinheiro desviado. Pezão, segundo as investigações, teria recebido o equivalente a R$ 39 milhões.
 

O governador deixou por volta das 7h30 o Palácio Laranjeiras, residência oficial, escoltado pela PF. O emedebista chegou à sede da PF do Rio pouco antes das 8h. Imagens mostraram o governador descendo de um dos carros da comitiva ao lado de policiais federais. Ele não usava algemas.

 

Agentes da PF estavam na residência oficial desde às 6h. Pezão foi levado num comboio de três veículos, com vidro fumê. Alguns poucos transeuntes acompanharam a saída de Pezão — o Palácio Laranjeiras fica numa área residencial pouco movimentada da zona sul do Rio.

 

As investigações apontam que o governador integra o núcleo político de uma organização criminosa que, ao longo dos últimos anos, cometeu vários crimes contra a administração pública, com destaque para a corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, Pezão recebia mesada de R$ 150 mil durante o mandato de vice-governador e ainda teria recebido valores no valor de R$ 2,3 milhões para pagar obras em sua residência, em Barra do Piraí, município ao sul do estado do Rio de Janeiro.

 

Além do governador, o secretário de obras José Iran Peixoto Júnior também é alvo da operação. A PF também faz buscas na casa de Hudson Braga, ex-secretário de Obras do governo Cabral. As operações começaram por volta das 6h da manhã envolvendo pelo menos três viaturas e helicópteros que sobrevoam a região.

Pezão é o terceiro governador do Rio de Janeiro preso e o primeiro em cumprimento do mandato. Os ex-governadores Anthony Garotinho e Sergio Cabral foram presos. Também foram detidos, anteriormente, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (MDB) e vários parlamentares da Casa.

 

Esquema de corrupção próprio 

A operação é resultado de petição apresentada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao relator do caso, Felix Fischer. Além das prisões, o STJ autorizou buscas e apreensões em endereços ligados a 11 pessoas físicas e jurídicas, bem como o sequestro de bens dos envolvidos até o valor de R$ 39,1 milhões. Ao todo, são 30 mandados que estão sendo cumpridos nas cidades cariocas do Rio de Janeiro, Piraí, Volta Redonda e Niterói, além de  Juiz de Fora (MG). 


No pedido, Dodge enfatizou ainda que Pezão foi secretário de Obras e vice-governador de Sérgio Cabral, entre 2007 e 2014, período em que já foram comprovadas práticas criminosas. "A novidade é que ficou demostrado ainda que, apesar de ter sido homem de confiança de Sérgio Cabral e assumido papel fundamental naquela organização criminosa, inclusive sucedendo-o na sua liderança, Luiz Fernando Pezão operou esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros", afirmou em nota o MPF.

Ainda segundo a nota, cabia a Pezão dar suporte político aos demais membros da organização que estão abaixo dele na estrutura do poder público e, para tanto, recebeu valores vultosos, desviados dos cofres públicos e que foram objeto de posterior lavagem.

Necessidade de prisões

No pedido de prisão, o MPF sustentou que, solto, Pezão poderia dificultar a recuperação dos valores, além de dissipar o patrimônio. "Há registros documentais, nos autos, do pagamento em espécie a Pezão de mais de R$ 25 milhões no período 2007 e 2015. Valor absolutamente incompatível com o patrimônio declarado pelo emedebista à Receita Federal. Em valores atualizados, o montante equivale a pouco mais de R$ 39 milhões (R$ 39.105.292,42) e corresponde ao total que é objeto de sequestro determinado pelo ministro relator", cita. 

 

Pessoas com prisões decretadas 

Luiz Fernando Pezão - governador do estado do Rio de Janeiro

José Iran Peixoto Júnior - secretário de Obras 

Affonso Henriques Monnerat Alves Da Cruz - secretário de Governo 

Luiz Carlos Vidal Barroso - servidor da secretaria da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico 

Marcelo Santos Amorim - sobrinho do governador 

Cláudio Fernandes Vidal - sócio da J.R.O Pavimentação 

Luiz Alberto Gomes Gonçalves - sócio da J.R.O Pavimentação 

Luis Fernando Craveiro De Amorim - sócio da High Control 

César Augusto Craveiro De Amorim - sócio da High Control 

Com infomrações da Agência Estado

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