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Correio Braziliense

'Esquema criminoso ainda não cessou', diz Dodge, sobre prisão de Pezão

Segundo a procuradora-geral da República, o atual governador do Rio recebeu ilegalmente o equivalente a R$ 39 milhões após criar esquema criminoso e continuava a praticar lavagem de dinheiro, o que justificou o pedido de prisão


postado em 29/11/2018 09:35 / atualizado em 29/11/2018 10:39

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou, na manhã desta quinta-feira (29/11), que o "grave" esquema de corrupção que se instaurou no Rio de Janeiro permanece em andamento. Em uma rara entrevista coletiva, ela disse que a investigação apontou a necessidade de prender preventivamente o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) e os demais envolvidos para que o dinheiro desviado pudesse ser retornado aos cofres públicos. O governador foi preso pela Polícia Federal por volta das 6h, no Palácio Laranjeiras, residência oficial do chefe do estado.  

De acordo com Dodge, o grupo continuava a praticar o crime de lavagem de dinheiro, prática que busca ocultar a origem ilícita de recursos. Assim, se os acusados continuassem soltos, seria mais difícil identificar e recuperar o montante desviado. "As informações da força-tarefa da Lava-Jato no Rio de Janeiro apontam que esse esquema criminoso ainda não cessou. Por isso foram necessárias medidas como a prisão preventiva. O dinheiro desviado precisa voltar aos cofres públicos", disse a procuradora. Segundo as investigações

Dodge disse ainda que a corrupção tem afetado de forma profunda o estado fluminense. "Esse é um crime gravíssimo. A população brasileira já percebeu isso de forma bastante nítida. Esses crimes são praticados de forma mais grave quando ocorrem por parte de organizações criminosas. As pessoas praticam atos simultâneos que permitem a lavagem de dinheiro", completou.

Na acusação enviada à Justiça, o Ministério Público afirma que Pezão criou seu próprio esquema criminoso, que sucedeu o liderado pelo ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, que está preso. "Houve uma sucessão de pessoas partícipes dessa organização criminosa. No entanto, mesmo depois das prisões, ocorreu uma nova liderança. É nessa perspectiva que atua o atual governador do Rio de Janeiro", completou Dodge.
 
Há registros documentais, nos autos, do pagamento em espécie a Pezão de mais de R$ 25 milhões no período 2007 e 2015. Valor absolutamente incompatível com o patrimônio declarado pelo emedebista à Receita Federal. Em valores atualizados, o montante equivale a pouco mais de R$ 39 milhões (R$ 39.105.292,42) e corresponde ao total que é objeto de sequestro determinado pelo ministro relator. 

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