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Correio Braziliense

Investigação sobre Pezão aponta desvio de mais de R$ 40 milhões, afirma PF

As investigações da PF apontaram que Pezão sucedeu o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), condenado e preso em outras fases da Operação Lava-Jato, não apenas no cargo, mas também como chefe da 'organização criminosa'


postado em 29/11/2018 12:58 / atualizado em 29/11/2018 12:58

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

As investigações da Operação Boca de Lobo da Polícia Federal (PF), que prendeu o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), na manhã desta quinta-feira (29/11), apontaram o desvio de pelo menos R$ 40 milhões, de 2007 até o início das investigações, em julho passado. A informação é do superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi.

As investigações da PF apontaram que Pezão sucedeu o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), condenado e preso em outras fases da Operação Lava-Jato, não apenas no cargo, mas também como chefe da "organização criminosa" que atuaria no governo do Estado do Rio. Pezão teria apenas passado a usar outros operadores administrativos e financeiros, disse o delegado federal Alexandre Bessa, responsável pela investigação.

O ponto de partida, segundo os delegados da PF, foram documentos colhidos em etapas anteriores da Operação Lava Jato do Rio, a Calicute e a Eficiência, além do depoimento em delação premiada de Carlos Miranda, tido como operador do ex-governador Cabral.

"Identificamos que de fato a hipótese levantada pelas delações foram corroboradas por elementos externos e independentes", afirmou Bessa, em entrevista coletiva.

Na delação premiada, Miranda disse que Pezão recebia mesada de R$ 150 mil por mês, com direito a 13º pagamento, quando era vice-governador, entre 2007 e 2014. Esses valores estão incluídos nos valores apurados pela PF, somados a recebimentos posteriores. Segundo Bessa, a investigação coletou 22 anotações sobre Pezão.

A cobrança de propina em contratos com fornecedores e prestadores de serviços, na média de 5% sobre os valores contratados, se manteve durante a gestão Pezão. Bessa afirmou que contatos telefônicos e outros indícios apontam que a prática continuou até o início das investigações.

"O esquema era muito pujante até a crise econômica, mas sempre permaneceu", afirmou o delegado, completando que as cobranças em cima das empresas eram fortes. No Rio, a PF evitou informar nomes de pessoas e empresas, mas informou que uma das operações investigadas foi uma licitação de R$ 100 milhões. Bessa citou obras de pavimentação como exemplo de licitações com propina.

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