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Correio Braziliense

Segurança é a maior preocupação para a cerimônia de posse de Bolsonaro

Grupo que coordena a cerimônia analisa a possibilidade de o presidente eleito, Jair Bolsonaro, fazer o trajeto da Catedral ao Congresso em carro fechado e não no tradicional conversível. Número de policiais deve passar dos 10 mil


postado em 02/12/2018 07:00

(foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)
(foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

A menos de um mês para a cerimônia de posse, Palácio do Planalto, Congresso Nacional, Itamaraty e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) estão a todo vapor para garantir que nada saia do protocolo durante o evento. A maior preocupação do comitê de organização é em relação à segurança e à saúde de Bolsonaro. Por isso, ritos tradicionais da cerimônia estão sendo revistos, a começar pelo clássico passeio em carro aberto.

Bolsonaro comentou com a equipe que gostaria de seguir o costume de fazer o trajeto entre Catedral e Congresso Nacional no Rolls Royce conversível, veículo utilizado na posse de todos os presidentes do país e em alguns eventos públicos desde 1953. Porém, o desejo do futuro presidente pode não se concretizar. A equipe de segurança analisa a possibilidade de fazer o percurso em carro fechado para minimizar riscos. O que também pode atrapalhar os planos de Bolsonaro é a chuva, frequente em Brasília em janeiro.

Em relação à assistência médica, o nível de alerta é alto. Uma ambulância exclusiva para o presidente eleito seguirá todo o percurso. Além dos enfermeiros que já vêm acompanhando Bolsonaro, ele terá um médico exclusivo no Congresso e no Palácio do Planalto. Por prevenção, um helicóptero também estará de prontidão durante o evento.

O número de pessoas integrando a segurança, em 1º de janeiro, também foi modificado. A expectativa inicial era de que 10 mil homens das Forças Armadas, das polícias Federal, Civil e Militar, e do GSI fariam a segurança do futuro presidente. Porém, com a confirmação da presença do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, essa quantidade deve aumentar. O contingente corresponde a mais do que o dobro de agentes que participaram da posse da ex-presidente Dilma Rousseff, que foi de quatro mil.

Torto


O itinerário começa na Granja do Torto, ponto de partida protocolar. Por volta das 15h, Jair Bolsonaro deve sair da residência oficial e seguir pelo Eixão em direção à Esplanada dos Ministérios. Com a esposa, Michelle Bolsonaro, ele se dirigirá à Catedral de Brasília. Apesar da localização, não haverá cerimônia religiosa, como explica Maria Cristina Monteiro, diretora de Relações Públicas do Senado e coordenadora do Grupo de Trabalho para a posse no Congresso. “Não tem missa nem culto. Tradicionalmente, (o local de encontro) passou a ser a Catedral, porque é um ponto de destaque arquitetônico mesmo”, disse. “Eles vão até lá para se encontrar com a cavalaria, que fica aguardando na Catedral. Na verdade, todo o agrupamento militar já fica aguardando ali. Bolsonaro se encontra com o vice, general Hamilton Mourão, e sua esposa, Paula Mourão, e troca de carro. O vice vai em um carro atrás.”

De carro, seja aberto, seja fechado, Bolsonaro fará o trajeto com duração aproximada de 15 minutos até o Congresso. Lá, ele será recebido pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira (MDB); pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM); pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e pelos parlamentares eleitos. Em sessão solene, no plenário da Câmara, Bolsonaro fará o juramento constitucional e será empossado. Terminada essa etapa, ele deve se encaminhar a um gabinete, enquanto espera a formação da guarda.

Como presidente da República, Bolsonaro, então, descerá a rampa do Congresso e ouvirá a execução do Hino Nacional. Depois, passará as tropas em revista, momento em que se tornará chefe de poder das Forças Armadas, e voltará ao carro para fazer um percurso de, aproximadamente, 1km até o Palácio do Planalto. No seu futuro local de trabalho, ele receberá a faixa presidencial das mãos de Michel Temer e fará um discurso à nação. A cerimônia seguirá com a posse dos futuros ministros no Salão Nobre. O evento se encerrará à noite, com um coquetel oferecido aos chefes de Estado no Itamaraty.

A expectativa, segundo Maria Cristina Monteiro, é de que a cerimônia completa da posse seja mais rápida. “Estamos prevendo discursos mais curtos. O próprio presidente eleito já sinalizou que quer uma cerimônia mais rápida. O que delonga são os discursos. O de Dilma, em 2015, durou cerca de 40 minutos, mas depende muito do presidente”, afirmou.


  • Posse em 2015

    Em 1º de janeiro de 2015, Dilma Rousseff e Michel Temer tomaram posse para o segundo mandato. O senador Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional à época, foi quem concretizou o ato. Seguindo o rito tradicional, Dilma ofereceu um coquetel a autoridades, no Itamaraty, onde recebeu cumprimentos do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro; do então presidente do Uruguai, José Mujica; e do, à época, vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

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