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Correio Braziliense

Dados citados por Russomano em entrevista são questionados por economistas

Em entrevista concedida no CCBB, o deputado federal utilizou números considerados "minimamente confusos" para defender as reformas da Previdência e Tributária


postado em 04/12/2018 21:21 / atualizado em 04/12/2018 21:22

(foto: Reprodução/PRB)
(foto: Reprodução/PRB)

Durante uma entrevista coletiva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde ocorre a transição do governo federal, o deputado federal e apresentador Celso Russomanno saiu em defesa das reformas da Previdência e Tributária. No entanto, o parlamentar se utilizou de dados, sobre a carga tributária brasileira, minimamente confusos ou não especificados, segundo especialistas procurados pelo Correio. O congressista também elogiou a postura do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de conversar primeiro com as Frentes temáticas.

Ao afirmar que “ninguém quer” investir no Brasil por conta da alta carga tributária — o chamado Custo Brasil —, o parlamentar chegou a declarar que as empresas que atuam no país pagam 41% a 42% de impostos e, ao ser questionado sobre o expressivo número, foi enfático. “Paga isso”. “Nós estamos falando de carga tributária de empresas. Ninguém sustenta”, declarou.

Especialistas procurados pela reportagem questionaram o percentual expresso pelo congressista, mas pontuaram que há a necessidade de se corrigir distorções e problemas no sistema tributário brasileiro. Segundo o economista André Perfeito, como a carga tributária brasileira é “altamente regressiva”, são os mais pobres e a classe média que arcam com o maior peso dos impostos, já que os maiores tributos se ensejam no consumo. “É difícil dizer qual o imposto específico que o deputado se referiu. Pode até existir um tributo específico, que represente essa percentagem, mas não acredito que seja a média”, ressaltou.

Para Perfeito, o maior problema das empresas não é os impostos que pagam, mas a grande quantidade de burocracia que exige um custo “homem-hora” elevado. “Agora, a redução da tributação em empresas precisará ser compensada com aumento em outro segmento”, conta.

O economista Roberto Ellery explica que caso o olhar seja colocado em cima da questão legal das empresas, no papel, as empresas pagam um número realmente elevado de tributos, no entanto, ele faz uma ressalva à fala do deputado. “Quanto realmente isso afeta a empresa e quanto ela repassa ao consumidor? Porque ela realmente repassa. Exemplo disso é o preço da gasolina, que é automaticamente transferido, quase que integral, para o bolso do consumidor”, lembra.

Mesmo assim, Ellery entende que o percentual levantado por Celso Russomanno lhe “parece” elevado. E também acredita que o maior problema das empresas continua sendo a complexidade tributária que demanda “muito tempo dedicado” dos funcionários.

O deputado federal também chegou a defender a diminuição de impostos que, segundo ele, elevariam a arrecadação do governo. No entanto, a afirmação é contestada por Roberto Ellery. “Teoricamente é possível, mas é absolutamente questionável do ponto de vista empírico. A evidência disso é muito questionável”, enfatizou.

Celso Russomanno também saiu em defesa da reforma da Previdência e disse ser a favor que a mudança ocorra no começo do mandato, quando o Executivo possui mais força. Também defendeu a separação dos valores gastos com a Previdência e com a Assistência Social, que, segundo ele, deveriam ser transferidos para o custeio do Tesouro Nacional. “Nós precisamos separar primeiro para saber o tamanho do rombo da previdência. Depois nós precisamos achar mecanismos para adequar este quadro”, explicou.

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