Politica

General vai ocupar cargo estratégico no Ministério da Justiça

Sérgio Moro anuncia dois nomes para compor a pasta. Um deles é o general Guilherme Theophilo, para ocupar a Secretaria Nacional de Segurança Pública. O outro indicado tem vínculo com a operação Lava-Jato, chefiada pelo futuro ministro

Lucas Valença - Especial para o Correio, Hamilton Ferrari, Rodolfo Costa
postado em 05/12/2018 06:00
Segundo Sérgio Moro, Theophilo possui
Composta por vários nomes que passaram pela Operação Lava-Jato, a equipe do Ministério da Justiça e Segurança Pública teve mais dois nomes anunciados pelo futuro chefe da pasta, Sérgio Moro. O delegado da Polícia Federal (PF) Luiz Pontel de Souza será o ;número 2; na hierarquia, responsável pela Secretaria Executiva. Além dele, o general Guilherme Theophilo ocupará a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Dos sete anunciados para integrar a equipe, três têm vinculação com a operação que foi chefiada por Moro.

O próximo diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, é um deles. Ele foi superintendente da corporação no Paraná há cerca de um ano. Antes dele, Rosalvo Franco chefiava a PF no estado e também integrará a equipe de Moro, na Secretaria de Operações Policiais Integradas. A delegada Erika Marena, próxima comandante do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, também foi uma das principais investigadoras da Lava-Jato.

Ontem, o futuro ministro confirmou Pontel como secretário executivo. Apesar de não ter atuado na operação, o indicado é o atual secretário Nacional de Justiça da pasta e, segundo Moro, conhece a estrutura burocrática. ;(É uma) Pessoa que conheço há bastante tempo, participou da investigação do Caso Banestado, foi um dos principais responsáveis pela prisão do (doleiro) Alberto Youssef e naquela época já foi possível constatar a absoluta integridade do delegado;, destacou.

O segundo anunciado foi candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, rival do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) na campanha presidencial. Segundo Moro, Guilherme Theophilo já foi desfiliado do partido e, ;portanto, não existe nenhuma indicação político partidária;.

Responsável por cuidar das políticas de segurança do país, Theophilo recebeu diversos elogios do futuro ministro, que apontou a ;larga experiência; e ;longo currículo; de trabalhos relevantes efetuados no Exército pelo general. Moro ressaltou que quer um trabalho similar ao feito pelo general Braga Netto na intervenção federal no Rio de Janeiro. ;Fiquei bastante impressionado positivamente com o trabalho que vem sendo feito no Rio de Janeiro pelo general Braga Netto, de estruturação da segurança pública do estado. Eu gostaria de um trabalho similar, respeitando, evidentemente a autonomia do estado e do DF. É o objetivo da Secretaria;, defendeu Moro.

De acordo com um especialista ligado à área de segurança pública, que preferiu não se identificar, a nomeação do general Theophilo e de outros integrantes da Polícia Federal preocupa, porque não há participantes de polícias estaduais que possam pensar na segurança para crimes comuns. Já para o consultor e ex-secretário Nacional de Segurança, José Vicente da Silva, a escolha do general fortalece os quadros do governo. Segundo ele, o nome é ;muito preparado; para lidar com toda a estrutura que será comandada. ;Geralmente, os generais são muito capacitados e muito bem treinados. Eu não tenho a menor dúvida de que ele seja um bom quadro;, declarou.

Ao ser questionado sobre a capacitação do general, que foi preparado para enfrentar situações de guerra, o ex-secretário ressaltou que a função é essencial, mas que os militares são treinados para se adequarem a outras realidades. ;Essa ideia de que o Exército é feito para matar existe, mas é apenas uma das finalidades. O general é como um ;guerreiro;, mas não é só;, defendeu Silva.

Sindicatos


Moro afirmou ainda que a intenção de transferir para a Justiça a função específica de análise e concessão de registros sindicais ; que hoje é do Ministério do Trabalho ; tem como objetivo eliminar as práticas denunciadas de fraudes, corrupção e tráfico de influência nesta atividade. Porém, não deu como garantida a transferência. ;Isso é algo que está sendo definido e debatido. Há uma intenção de transferir essa parte do registro sindical para Justiça. É um setor que teve muita corrupção no passado, pelo menos o que foi divulgado pela imprensa e apurado em investigações. E o objetivo dessa transferência é, sob o guarda-chuva do MJ, eliminar qualquer vestígio de corrupção. Mas não é algo totalmente delimitado. Se for transferido, esse setor certamente será bem cuidado;, disse Moro.

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