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Correio Braziliense

Dodge: 'Corrupção não parou no Mensalão nem Lava-Jato, mas mudou de forma'

PGR apontou que quase R$ 850 milhões foram pagos aos cofres públicos por meio de acordos de leniência e de colaboração premiada


postado em 10/12/2018 18:10 / atualizado em 10/12/2018 18:12

(foto: Evaristo Sa/AFP)
(foto: Evaristo Sa/AFP)

No dia seguinte à data que celebra o combate à corrupção, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, exaltou, nesta segunda-feira (10/12), a operação Lava-Jato como instrumento para combater os esquemas de corrupção, mas ressaltou que a ação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) não acabou com os desvios de recurso público no país.

"Sabemos que a corrupção não parou com o Mensalão nem com a Lava-Jato, mas tem mudado de forma", disse Dodge em seminário promovido pelo MPF, do qual também participaram o ministro da Controladoria Geral da União (CGU) Wagner Rosário e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto.

Segundo o MPF, está em curso, em todo o país, mais de 130 operações de combate à corrupção. Com as de grande porte, como a Lava-Jato e a Greenfield, o MPF tem buscado o ressarcimento de mais de R$ 67 bilhões aos cofres públicos. Além disso, os mais de 35 acordos de leniência e de colaboração premiada totalizaram o retorno de mais de R$ 24 bilhões aos cofres públicos.

Só em relação a 170 colaboradores que tiveram acordos homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), fá foram pagos R$ 848.375,556 em multas extrapenais e perdimentos de bens e valores. Os dados foram levantados a partir de ferramenta desenvolvida pelo Grupo de Trabalho da Lava Jato na PGR.

Em sua fala, Raquel Dodge relatou as dificuldades que os órgãos fiscalizadores têm enfrentado para rastrear os casos de corrupção. “Colher os vestígios dos ato de corrupção é muito difícil. É preciso estar sempre vigilante. Essa é uma tarefa do MP, da polícia, de cada cidadão”, disse. E exaltou o trabalho da imprensa. “Queria enaltecer o trabalho da imprensa, que, numa sociedade livre como a nossa, tem a tarefa de expor vestígios, documentos, indagações, duvidas. A nossa sociedade justa e democrática depende não só da nossa desenvoltura, mas conta também com a atuação da imprensa”, acrescentou. 

O ministro da CGU, Wagner Rosário, que continuará no cargo no governo Bolsonaro, elogiou a operação Lava Jato e disse esperar por evolução. “Não vi alguma investigação chegar aonde a Lava Jato chegou. Atuamos para tentar absorver esses conhecimentos, criar mecanismos, buscar a atuação conjunta dos órgãos. Estamos caminhando.”

Depois da procuradora-geral e do ministro, outros procuradores que compõem grupos de trabalho da Lava Jato nos estados apresentaram as medidas contra corrupção adotadas regionalmente. Eles elencaram a importância da operação para combater conluios em licitações e outros tipos de improbidade.
 
*Estagiário sob supervisão de Humberto Rezende 

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