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Correio Braziliense

Novo presidente do Tribunal de Contas da União prega cooperação pelo país

José Múcio Monteiro, em discurso de posse, garante que Corte não será empecilho aos planos de privatização do futuro governo. TCU analisará legalidade de medidas e apontará alternativas aos projetos propostos


postado em 12/12/2018 06:01 / atualizado em 12/12/2018 07:21

Na posse como presidente do TCU, José Múcio Monteiro reforça a função da Corte de guardiã do dinheiro público(foto: TCU/Divulgação)
Na posse como presidente do TCU, José Múcio Monteiro reforça a função da Corte de guardiã do dinheiro público (foto: TCU/Divulgação)

Em uma cerimônia recheada de discursos intimistas, com apoio às privatizações e ao combate à corrupção, o novo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro José Múcio Monteiro, tomou posse ontem como presidente da Corte e ficará à frente da autarquia por ao menos um ano. Com ele, também se oficializou no cargo a vice-presidente da Casa a ministra Ana Arraes, que acumula ainda a função de corregedora do Tribunal.

Segundo o novo presidente, o tribunal não pode ser um empecilho para os planos do Executivo sobre as privatizações. A responsabilidade do TCU é analisar a legalidade de desestatizações e apontar, se for necessário, impedimentos e alternativas para futuros projetos. Inclusive, tem sido estudada a criação de uma secretaria específica destinada a privatizações e concessões.

“Evidentemente, vamos procurar ver a agenda do governo e as suas prioridades. É a hora de todos juntarem as mãos e cooperarem. Somos guardiões do dinheiro público e vamos priorizar isso. Aproximar os tribunais das instituições, ouvir antes de colocar no papel e priorizar o bom gestor. Vamos mostrar que não somos apenas um órgão que pune, mas mostrar também o nosso lado pedagógico”, disse.

Ministro há nove anos, Múcio ressaltou ainda a importância da retomada das obras paradas como parte da responsabilidade do tribunal. O novo presidente defendeu ainda a união dos Três Poderes em prol de um país melhor. Ele adiantou que o combate à corrupção será um dos pilares de sua gestão. “Temos que ser uma instituição que lidere pelo exemplo. Vamos dar exemplo, vamos arregaçar as mangas, vamos trabalhar juntos e fazer diferença”, celebrou.

No fim do discurso, agradeceu pessoas importantes durante a caminhada dele, que foi deputado federal cinco vezes por Pernambuco, estado onde nasceu, e ocupou, por duas vezes, cargos no Executivo estadual e federal. Emocionado, Múcio citou, inclusive, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril deste ano. “A gratidão é a memória do coração, já disse Santo Agostinho. No campo político, preciso agradecer Roberto Magalhães, que me iniciou na política, ao povo de Pernambuco, que me deu cinco mandatos, e ao ex-presidente Lula, que me fez ministro”, declarou.

Além do presidente da República, Michel Temer, estiveram presentes à solenidade o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE); da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); e do Supremo, José Dias Toffoli. O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.  Representantes do futuro governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, também compareceram: o ministro da Justiça, Sérgio Moro, da CGU, Wagner Rosário, que já está no cargo e seguirá no posto ano que vem, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que segue a linha ultraliberal e já afirmou que os próximos quatro anos serão de privatizações.

Prestígio


Na plateia, estavam ainda os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, o governador eleito do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e outros chefes dos executivos estaduais, como o do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), de São Paulo, Márcio França, de Minas Gerais, Fernando da Mata Pimentel, e do Piauí, Wellington Dias (PT).

Incumbido de fazer o discurso em nome dos demais ministros, Benjamyn Zymler ressaltou a origem pernambucana de Múcio e Ana Arraes e relatou, com casos de dentro e fora do tribunal, a trajetória da dupla. O ministro lembrou, ainda, algumas vezes, do filho de Ana Arraes, o político morto em um acidente de avião, Eduardo Campos. “Não serão tempos fáceis, no horizonte de 2019 avizinham-se graves dificuldades no campo da economia e das contas públicas. O Brasil vive período de grande inquietude e grande esperança. Nesse cenário, há forte tendência de que a corte de contas adquira grande visibilidade”, disse.

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