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Correio Braziliense

Sem citar Flávio Bolsonaro, Janaína Paschoal cita lamaçal em assembleia

Em uma série de posts do Twitter, Janaína Paschoal explicou como ocorre a prática de deputados estaduais arrecadarem para si parte dos salários de assessores


postado em 12/12/2018 18:02 / atualizado em 12/12/2018 18:03

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
A deputada estadual eleita Janaína Paschoal (PSL-SP) expôs no Twitter como, segundo ela, parlamentares arrecadam para si parte dos salários de assessores. A advogada, que atuou no processo de impeachment da presidente Dilma Russeff, não citou nomes, mas a série de posts na rede social foi feita dias depois da divulgação de movimentações suspeitas na conta de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

"Eu iria tratar deste tema mais adiante, porém, os fatos me forçam a falar antes. Espero que entendam que as considerações que farei aqui não têm o intuito de avaliar o mérito de nenhuma situação em especial, mas discutir (em teoria) prática a ser coibida”, escreveu Janaína, que foi eleita pelo mesmo partido de Flávio e chegou a ser cotada para vice na chapa de Jair Bolsonaro. 

Ela, então, contou que, ao lado de outros deputados estaduais eleitos, recebeu um curso da Corregedoria da Assembleia Legislativa de São Paulo sobre possíveis problemas que podem enfrentar na futura gestão. Um dos ponstos abordados foi a devolução de salários por parte de assessores.

"Com os salários oferecidos pela Casa, o deputado pode procurar bons quadros [..]. No entanto, algumas vezes, o parlamentar prefere contratar alguém com capacitação incompatível com o salário. E por quê? Porque esse alguém vai ficar muito satisfeito com uma parte do salário pago e, para mantê-lo, vai devolver uma boa parte ao parlamentar", escreveu. 

A justificativa para a naturalização dessa prática, segundo ela, é que muitas pessoas acham correto a devolução do dinheiro em troca do emprego. Outro fator que dificulta a denúncia por parte dos funcionários são as consequências legais, como o enquadramento do denunciante em irregularidade, exoneração do cargo e a devolução integral de todos os salários do período em que trabalhou. 

"Diante desse esclarecimento, eu ponderei: Mas assim vocês não vão pegar ninguém! O funcionário precisa ser acolhido em seu relato! Claro que precisará provar o alegado, mas, se for tratado como bandido, não vai denunciar nunca! Qualquer manual de Compliance ensina isso!”, indignou-se Janaína na publicação.

"Movimentação estranha não implica ilicitude"

Apesar de entender que o cidadão não é vítima, já que também se beneficia do esquema durante um tempo, a deputada eleita acredita que seja possível encontrar outros métodos para coibir e não incentivar práticas ilícitas nas contratações de assessores dos parlamentares. 

Por fim, após 18 tuítes, Janaína afirma que está trabalhando para tornar o mundo real mais parecido com o que pensa ser certo e se desvencilha, mais uma vez, de possíveis acusações contra Flávio Bolsonaro. 

"Uma movimentação estranha, como toda a Imprensa vem dizendo (responsavelmente), não implica ilicitude. Mas, se os investigadores quiserem mesmo chegar a algum lugar, precisam dar alguma garantia aos assessores, para que eles falem…”, reiterou. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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