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Correio Braziliense

Bolsonaro promete reduzir gastos da CEF, BB e BNDES com publicidade

Presidente eleito promete reduzir gastos da Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES com propaganda e patrocínios esportivos. Medida afetaria clubes como Flamengo, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro e Botafogo


postado em 15/12/2018 08:00

(foto: Evaristo Sa/ AFP)
(foto: Evaristo Sa/ AFP)

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, decidiu aumentar a pressão sobre os bancos públicos. Na quinta-feira, ele postou uma mensagem no Twitter com críticas aos gastos com publicidade da Caixa, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil (BB). Mencionou também os contratos da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), vinculada à Presidência da República.

“Tomamos conhecimento de que a Caixa gastou cerca de R$ 2,5 bilhões com publicidade e patrocínio neste último ano. Um absurdo! Assim como já estamos fazendo em diversos setores vamos rever todos esses contratos, bem como os do BNDES, Banco do Brasil, Secom e outros”, escreveu o presidente.

A publicidade está longe de ser a única preocupação do futuro governo. O nome indicado para presidir a Caixa, Pedro Guimarães, terá como missão reduzir o tamanho do banco. A equipe econômica do futuro governo analisa um plano elaborado pela diretoria atual da instituição que prevê a venda de R$ 60 bilhões em ativos, incluindo Caixa Seguridade, Caixa Cartões, Caixa Loterias, Caixa Banco Digital e Caixa Gestão de Recursos.

 

 

A Caixa contestou ontem os valores mencionados por Bolsonaro. De acordo com a instituição financeira, os R$ 2,5 bilhões superam não somente o montante previsto para 2018, mas a soma de tudo o que foi aplicado nos últimos três anos. A verba publicitária prevista para 2018 é de R$ 685 milhões, tendo R$ 500,8 milhões sido desembolsados até o mês passado. Em 2017, o total foi de R$ 679,4 milhões e, em 2016, de R$ 788,9 milhões. O auge dos gastos foi em 2014, com R$ 818,9 milhões.

“A Caixa reforça que as ações de comunicação do banco são voltadas para a alavancagem de negócios, produtos e serviços e vêm sendo reduzidas desde 2016. A Caixa ressalta ainda que segue os ritos previstos na legislação e tem acompanhamento e fiscalização de órgãos de controle externo”, afirmou o banco por meio de nota.


Os gastos com patrocínio de clubes de futebol atingiu R$ 332,1 milhões, bem mais do que a despesa com anúncios em veículos de comunicação, que foi de R$ 270,9 milhões. O clube que mais recebeu em 2018 foi o Flamengo, com R$ 25 milhões. Em seguida, o Santos, com R$ 14 milhões. E em terceiro lugar, com R$ 10 milhões, vêm três clubes: Atlético Mineiro, Botafogo e Cruzeiro.

Alternativas


Caso a Caixa encerre os contratos com clubes, há risco de isso aumentar a vantagem do time com mais recursos do país, o Palmeiras, para o qual Bolsonaro torce, que tem um contrato de R$ 78 milhões com a financeira Crefisa. O Botafogo, time do presidente eleito no Rio, pode ser prejudicado também.

Para Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo até dia 31, o clube conseguirá alternativas, caso a Caixa encerre o patrocínio. Ele acha que é um tipo de despesa que se justifica para a empresa responsável pelo desembolso. “Acho que o patrocínio deve sempre ser avaliado segundo o seu retorno, independentemente de se tratar de empresa pública ou privada. Há empresas especializadas em calcular o retorno que a exposição da marca proporciona ao patrocinador”, explicou.


  • Lula é réu no caso da Guiné

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou réu na Justiça Federal em São Paulo, sob acusação de lavagem de R$ 1 milhão em negócio na Guiné Equatorial, envolvendo o grupo brasileiro ARG. Na denúncia, a força-tarefa da Operação Lava Jato, do Ministério Público Federal, em São Paulo, afirma que o valor foi dissimulado na forma de doação ao Instituto Lula. O pagamento teria sido feito depois que o ex-presidente, “usufruindo de seu prestígio internacional, influiu em decisões do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, as quais resultaram na ampliação dos negócios da empresa no país africano”.

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