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Correio Braziliense

Ex-chefe do GSI de FHC: 'Sou a favor da liberalização gradual das drogas'

Para o general da reserva e fundador da Secretaria de Política Antidrogas, Alberto Cardoso, a criminalização tem feito crescer o lucro e o poder das organizações criminosas


postado em 18/12/2018 21:11

O general Alberto Cardoso, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Governo Fernando Henrique Cardoso, afirmou, nesta terça-feira (18/12), que é favorável à legalização de drogas, como maconha e cocaína, de forma lenta no país. A declaração foi feita em Brasília, no 14ª Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros (Enecob).

De acordo com Cardoso, que também foi fundador da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), os mais de R$17 bilhões movimentados por ano pelo consumo interno de drogas têm feito crescer o ciclo criminal do tráfico e não têm sido controlados pela proibição. “As pessoas e organizações ligadas com atividade ilegal não querem nem pensar em legalização”, afirmou.

Cardoso, no entanto, não defendeu a negligência policial. “Enquanto estiver proibido, é implacável a repressão. Mas se vier a ser liberado, terá de ser adaptado o trabalho de policiamento”, explicou. E acrescentou: “O usuário faz parte da maior fonte de recursos do crime organizado no Brasil. Então, é necessária, imprescindivelmente, uma prevenção abrangente e continuada”.


Ainda na visão do general, tem preocupado como a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) tem sido tratada nos últimos governos. “Me preocupa a Senad ser mantida no Ministério da Justiça, porque há uma tendência natural de o órgão de repressão ter supremacia em relação ao de prevenção”, disse.

Ideologia

Na avaliação do general Cardoso, a ideologia, a qual considera uma “praga”, pretende ter resposta para tudo e faz as pessoas não pensarem. “Muitos não defendem a liberalização por motivos ideológicos, baseados em dados infundados”, defendeu.

Cardoso pontuou que o Estado precisa investir em educação para sanar o problema. “O Estado é ineficiente por incompetência, corrupção, omissão, por um longo período em que os que deveriam ser estadistas foram pressionados pelo politicamente correto. Nunca falaram abertamente sobre as drogas. A solução é uma só: educação”, concluiu.

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