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Correio Braziliense

Nomes que pretendem conquistar os comandos no Congresso não terão recesso

MDB, por exemplo, quer manter a qualquer custo o posto superior no Senado


postado em 21/12/2018 06:00

(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)

O Congresso já entrou em recesso, mas a disputa pelo comando das duas casas está mais acesa do que nunca. Ela tem reverberado não apenas entre os corredores, mas dentro das próprias siglas dos que disputam as vagas. O MDB, partido que tem maior representatividade no Senado e já tem a Presidência da casa hoje, quer manter a qualquer custo o posto superior no Parlamento. Com Eunício Oliveira (CE) de fora no ano que vem, a corrida fica acirrada entre dois senadores da legenda — a líder Simone Tebet (MS) e Renan Calheiros (AL). Nenhum confirmou oficialmente a candidatura, mas eles tentam angariar 41 votos para provar que podem vencer as eleições, marcadas para 2 de fevereiro.

Caciques da velha política ainda enxergam Renan como a melhor opção para estar à frente da Casa, participar das negociações e indicar nomes estratégicos para funções importantes do Parlamento. Mas o restante dos congressistas da sigla ainda estão divididos. Até a volta da atividade legislativa, o MDB vai se reunir para contabilizar os votos na tentativa de lançar um nome certo para o cargo. Tebet só anunciará a candidatura se Renan não conseguir provar que consegue vencer. A legenda de Romero Jucá (RR) não quer perder a oportunidade de ficar mais quatro anos na Presidência.

Preocupação


No entanto, entre alguns senadores, o nome do alagoano também é recebido com preocupação. Alvo de 14 procedimentos criminais, Renan pode inflamar a população e os próprios congressistas com a bagagem que carrega. Sobretudo depois de ontem, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello determinar que a votação para os cargos da Mesa Diretora do Senado fosse aberta. Ele atendeu ao pedido do senador Lasier Martins (PSD-RS), que visava à eleição em votação aberta.“Recebi a notícia do deferimento da liminar com grande satisfação. A Constituição foi respeitada e a vontade do povo, atendida. A transparência venceu a velha política”, disse, quando soube da decisão.

A manobra seria para deixar Renan menos competitivo, frente aos demais pré-candidatos à cadeira. Ao Correio, Renan criticou a interferência do Judiciário no processo eleitoral do Legislativo. “Não podemos deixar de defender a independência e a separação dos Poderes. A democracia não deve ficar exposta a pedrada de doido e a coice de burro. Será sempre mais complicado defendê-la. Todo dia tem que matar um leão. Mas, o difícil mesmo é enfrentar as antas”, disse. Além do emedebista, circulam cinco nomes, como Davi Alcolumbre (DEM-AP), Angelo Coronel (PSD-BA), Alvaro Dias (Pode-PR),  Tasso Jereissati (PSDB-CE) e  Esperidião Amin (PP-SC). Além do alagoano, os que mais agradam são Tasso e Esperidião. Mas, segundo Tebet, se for ela a representante emedebista no pleito, ele estaria disposto a retirar a candidatura.

Pessoas próximas a Lasier já aguardam que Eunício recorra da determinação do Supremo. Mas esperam que o presidente da Corte, Dias Toffoli, que estará de plantão neste fim de ano, decida a favor da ordem de Marco Aurélio. “Estamos nesse suspense, mas como daqui a pouco começam as festas, voltam as negociações”, declarou um congressista. 

Dos 12 parlamentares que compõem a bancada emedebista, um terço tende a apoiar Renan, com medo de “contrariá-lo”. No entanto, o PSL, partido de Bolsonaro, vê em Simone Tebet um nome forte para a disputa, ao passo que se divide também com Alcolumbre. De qualquer maneira, o senador eleito Major Olimpio (PSL-SP) e Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) articulam, mas com cautela, para evitar transparecer um apoio formal do governo a uma candidatura ou outra. Seria um tiro no pé para o governo eleito dar qualquer sinal de que escolheu um candidato. “Davi é um nome viável e tem bom trânsito com todos os senadores, mas é preciso ter cautela com os próximos movimentos do Renan”, advertiu um interlocutor do governo.

Colaboraram Rodolfo Costa e Renato Souza

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