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Correio Braziliense

Especialistas avaliam como novo governo deve lidar com juros e inflação

Na prática, com o desemprego elevado e o consumo reprimido das famílias, os preços vão subir pouco, permitindo que o Banco Central mantenha os juros em nível baixo.


postado em 28/12/2018 06:00

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
 

 

Em meio ao cenário de incertezas e de contas públicas em frangalhos, há perspectivas positivas na economia em relação a dois pontos: a inflação e a taxa básica de juros (Selic). Por conta, em grande parte, da atividade econômica fraca, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está controlado e terminará 2018 bem abaixo do centro da meta oficial, que é de 4,5%. A expectativa do mercado é de que a taxa fique em 3,71%. Na prática, com o desemprego elevado e o consumo reprimido das famílias, os preços vão subir pouco, permitindo que o Banco Central mantenha os juros em nível baixo.

Será um problema a menos para o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), já que a tendência permanecerá em 2019, ao que tudo indica. Mesmo com meta menor para a inflação no próximo ano, de 4,25%, economistas consultados pelo Banco Central (BC) avaliam que o IPCA ficará em torno de 4,07%. Na interpretação dos analistas, o cenário permite que o Comitê de Política Monetária (Copom) segure a taxa Selic em 6,5% ao ano, o nível mais baixo da história, até o segundo semestre do próximo ano, pelo menos. As projeções também apontam inflação abaixo da meta em 2020 e 2021.

“Hoje, prevemos alta de juros apenas no meio do ano que vem, com a Selic chegando a 7,75% no fim de 2019”, diz Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo Investimentos. “A inflação subjacente (ou núcleo do IPCA, que captura a tendência) e de preços livres deve ficar baixa. O que pode ocorrer é pressão de preços administrados (aqueles preestabelecidos em contratos ou definidos por governos)”, afirma.

Foram justamente os preços administrados que mais pressionaram a inflação em 2018. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 4,05% acumulados pelo IPCA nos 12 meses terminados em novembro, 1,35 ponto percentual resultaram do impacto de aumentos da gasolina, de planos de saúde e de tarifas de energia elétrica.

“Há ociosidade elevada na economia, o que mantém as expectativas ancoradas. A inflação de serviços, também abaixo da meta, abre espaço para absorção de alguns choques, como ocorreu este ano com os administrados. Os preços de alimentos estão sob controle, com condições climáticas dentro dos padrões e safras boas”, acrescenta Buccini. Os dados do IBGE mostram que a inflação de alimentos — que tem peso de quase 25% no IPCA — atingiu 4,14% no acumulado de 12 meses até novembro.


Agenda


No entanto, assim como outros aspectos econômicos, a inflação só se manterá em níveis baixos com o avanço das reformas, sendo a principal a da Previdência,  responsável pelo rombo nas contas públicas. Os analistas entendem que Jair Bolsonaro terá que dar continuidade à agenda reformista. A equipe do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, sinaliza que avançará em temas defendidos pelo mercado. Caso isso não ocorra, as avaliações favoráveis dos especialistas podem mudar.

A economista-chefe da consultoria Rosenberg Associados, Thais Zara, entende que, mantidas as perspectivas atuais,  o IPCA deverá continuar em nível “bastante confortável”. “A inflação ficará abaixo da meta, refletindo a capacidade ociosa da economia. Em nosso cenário, haverá relativa estabilidade do câmbio, contando com o avanço da agenda de reformas. Com isso, teremos espaço para a manutenção dos juros por boa parte de 2019, impulsionando o crédito e a melhora progressiva do ritmo de atividade”, avalia.

Rafael Cardoso, da Daycoval Investimentos, explica que a alta ociosidade na economia e o desemprego elevado  “não geram estímulo nem facilidade de repasse de preços”. Por isso, projeta que o IPCA terá variação de 3,9% em 2019, abaixo da meta de 4,25%.

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