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Correio Braziliense

Mourão assume como vice e discurso agrada seguidores de Bolsonaro

"Prometo manter, defender e cumprir a Constituição", afirmou ele, quase gritando, sem ler


postado em 02/01/2019 06:00 / atualizado em 02/01/2019 16:46

General Mourão ao lado da mulher, Paula: juramento feito aos gritos (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
General Mourão ao lado da mulher, Paula: juramento feito aos gritos (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )


A promessa do general Hamilton Mourão de não ser um vice-presidente decorativo começou a ser cumprida literalmente nas primeiras palavras que ele proferiu no cargo, ao fazer o juramento: “Prometo manter, defender e cumprir a Constituição”, afirmou ele, quase gritando, sem ler, depois de o presidente Jair Bolsonaro falar as mesmas palavras em tom bem mais ameno. “Prometo sustentar a integridade e a independência do Brasil!”, subindo ainda mais o tom ao mencionar a nação. Os aplausos dos deputados, senadores e convidados vieram igualmente com mais decibéis do que o do juramento do presidente.

Na Praça dos Três Poderes, Mourão também caiu no gosto do público. O nome dele era ovacionado a cada vez que o locutor o mencionava. No parlatório, onde não discursou, foi citado pelo presidente, que o chamou de “general de Exército”, a patente máxima da Força, que alcançou antes de ir para a reserva. Mesmo sem ele ter falado, o público prestou-lhe homenagem: “Mourão! Mourão!”, gritavam os apoiadores de Bolsonaro, mostrando que o general tem forte apoio entre os eleitores.

O público na Esplanada viu, mais cedo, uma entrevista com Mourão, gravada pelos apresentadores da tevê estatal NBR. A programação da posse da emissora foi mostrada nos telões espalhados em meio ao público desde a manhã de ontem. O vice-presidente contou que é filho de Wanda, uma gaúcha de Bagé, e de Antonio Hamilton, um amazonense que, por sua vez, descendia de piauienses. Nascido em Porto Alegre, mas criado no Rio de Janeiro, o vice-presidente se mostra como uma síntese do país.

Na Praça dos Três Poderes também havia pessoas de todas as regiões do país. A Direita Pernambucana, grupo de 60 pessoas veio de ônibus do estado. “Somos 600 integrantes lá, em 52 municípios. Nós nos reunimos desde 2014 para defender valores conservadores. Enfatizamos que os deveres devem vir antes dos direitos”, relatou o empresário Marcos Chaves, 45 anos. Militante do grupo, a pedagoga Alessandra Lins, 44 anos, moradora de Olinda, disse que, embora Bolsonaro tenha perdido a eleição no Nordeste, o apoio à direita vem crescendo na região nos últimos pleitos.

“Salvação”

Eleitora de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e 2006, ela contou que “acreditava na mudança”, mas se frustrou. “Ainda somos um país que pensa pequeno”, avaliou. Na opinião dela, o preconceito contra nordestinos foi incentivado nos governos petistas. “Foi ali que criaram o nós contra eles”, disse ela, que preferiu vir de avião a Brasília, em vez do ônibus do grupo.

A empresária Marlene Carvalho, 81 anos,  de Marataízes (ES), se desloca em cadeira de rodas por conta de uma rachadura no fêmur, mas não quis deixar a limitação impedi-la de vir para a posse. “Bolsonaro merece”, afirmou. Ela assistiu a um discurso dele em Vitória, no início do ano. “Vi que havia salvação para o país”, relatou. Marlene veio para Brasília de avião de sua casa para São Paulo, onde encontrou a filha, Selene Carvalho, 53 anos.

Na companhia de uma amiga, voaram para Brasília na sexta-feira. Selene se queixou da falta de acomodação especial para pessoas na situação da mãe. “Esqueceram-se do cadeirante”, disse. Ao lado dela, Joyce Krischke, de Balneário Camboriú (SC), também reclamava. “Eu liguei para a equipe de transição. Ficaram de dar um retorno, mas não ligaram”, relatou ela, que tem três costelas quebradas. Marlene, Joyce e a comerciante Suse Tenor, 54, ficaram em um corredor entre duas áreas isoladas, apartadas do público, mas sem cobertura. A visão do Planalto é distante e limitada. Suse veio no carro dirigido pelo marido, Fernando Rossitto. Chegaram às 23h do dia 31. “Não comemoramos a passagem de ano. Fomos direto dormir no hotel”, ele contou.

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