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Correio Braziliense

Oferta de Bolsonaro aos EUA gera críticas entre militares

Na opinião de generais e oficiais superiores, a possibilidade de instalação de uma base militar dos EUA no país é desnecessária e inoportuna, além de não se afinar com a política nacional de Defesa


postado em 05/01/2019 10:27 / atualizado em 05/01/2019 11:53

Segundo militares, a oferta oferece risco de agressão externa fora da capacidade de reação, capaz de colocar em perigo a integridade da nação(foto: AFP /Sergio Lima)
Segundo militares, a oferta oferece risco de agressão externa fora da capacidade de reação, capaz de colocar em perigo a integridade da nação (foto: AFP /Sergio Lima)

 

A possibilidade de o governo do Brasil ceder espaço territorial para instalação no País de uma base militar dos Estados Unidos é desnecessária e inoportuna na opinião de três generais e três oficiais superiores ouvidos nesta sexta-feira, 4, pelo Estado. Admitida em entrevista ao SBT pelo presidente Jair Bolsonaro como uma questão a ser estudada no futuro, a ideia não se afina com a política nacional de Defesa.

Um dos chefes de tropa lembra que acordos desse tipo só se justificam quando há risco de agressão externa fora da capacidade de reação e capaz de colocar em perigo a integridade da nação - "é o caso do menino fraco que chama o amigo forte para enfrentar os valentões da rua; estamos longe disso", exemplificou.

Na prática, a iniciativa pode ser um fator complicador nas delicadas discussões bilaterais para uso do Centro de Lançamento de Alcântara, da Força Aérea, no Maranhão. A posição do complexo e as condições climáticas favoráveis na maior parte do ano contribuem para redução significativa dos custos da operação comercial do transporte espacial para posicionamento de satélites. Os americanos gostariam de um aluguel de longo prazo. Os brasileiros querem vender serviços em regime de cooperação - todavia, sem ceder o controle da base.

Durante os anos finais da 2.ª Guerra Mundial, a aviação dos Aliados, liderada pelos EUA em larga proporção, negociou a construção em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, de uma gigantesca base aérea. Duas pistas, 700 prédios, 4.600 combatentes e tráfego diário de 400 a 600 aeronaves para lançar ataques contra objetivos no norte da África e sul da Europa. Em 1945, nos termos do acordo firmado entre os presidentes Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt, aviões e pessoal americanos saíram das instalações. Nos quatro anos de operação conjunta da base, a população da capital, Natal, dobrara de 40 mil habitantes para 80 mil.

Documentos do Departamento de Estado registram uma tentativa de prorrogação do pacto de colaboração, em 1946, por um período de 50 anos. A chancelaria do Brasil informou a Washington que a então recém-criada FAB tinha planos próprios para o conjunto. Ao longo do tempo, nenhum outro tratado do mesmo tipo foi negociado.

As Forças Armadas mantêm acordos com organizações militares estrangeiras para receber grupos de treinamento especializado - por exemplo, em disciplinas de guerra na selva - ou para exercícios combinados de combate aéreo. E é só.

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