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Correio Braziliense

FHC diz que família coloca governo Bolsonaro na fogueira

Para o tucano, a gestão de Bolsonaro diverge da normalidade ao permitir que familiares interfiram nas decisões do Planalto


postado em 15/02/2019 13:44 / atualizado em 15/02/2019 13:53

(foto: Isac Nóbrega/PR)
(foto: Isac Nóbrega/PR)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) usou o Twitter para alfinetar o presidente Jair Bolsonaro, dizendo que o governo pesselista é mais desordenado do que deveria. Para o tucano, a gestão de Bolsonaro diverge da normalidade ao permitir que familiares interfiram nas decisões do Planalto. "Inicio de governo é desordenado. O atual está abusando. Não dá para familiares porem lenha na fogueira", escreveu em uma rede social. 

 

Fernando Henrique complementou a publicação desta sexta-feira (15/02) afirmando que "problemas sempre há, de sobra", mas que "o presidente, a família, os amigos e aliados" não podem atenuá-los, soprando nas brasas. "O fogo depois atinge a todos, afeta o país. É tudo a evitar", finalizou o tucano. FHC foi presidente do Brasil entre 1995 e 2002, eleito duas vezes em primeiro turno.

 

A publicação acumulou dois mil "likes" em três horas. Um dos seguidores respondeu FHC, dizendo que ele poderia ser mais participativo em um momento delicado para o governo. "O sr. poderia participar mais ativamente desse momento em que querem jogar o país nas trevas (...). É imperiosa a participação do maior número de cabeças pensantes deste país". 

 

Oposição a Bolsonaro

Há exatamente um mês, em Paris, Fernando Henrique participou de diálogo com o sociólogo e seu ex-professor, Alain Touraine. No debate intitulado “Ordem contra a democracia?”, organizado pelo Colégio de Estudos Mundiais, da Fundação Casa das Ciências do Homem (FMSH, na sigla em francês) e que teve lugar na Casa da América Latina, na França, os dois sociólogos discutiram a crise dos sistemas democráticos ocidentais. 

 

Antes da palestra, o ex-presidente concedeu entrevista exclusiva à RFI. Explicou por que, mesmo não tendo votado no presidente Jair Bolsonaro e sendo “oposição”, não apoiou Haddad em outubro de 2018. Falou também da crise da democracia brasileira, do fim de um ciclo iniciado com a Constituição de 1988 e de suas expectativas quanto ao novo governo.

 

No final do evento, membros do coletivo Alerta França-Brasil, criado em Paris em 2016 por ocasião do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, abriram uma faixa em frente à mesa onde aconteceu o debate e chamaram o ex-presidente de "golpista". Perguntado se tinha se incomodado com o protesto, Cardoso disse que não, pois "estava acostumado".

 

Há duas décadas, o então presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou providências da Câmara quanto às declarações feitas pelo deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) no almoço em desagravo ao ex-comandante da Aeronáutica Walter Bräuer. "Para o crime que ele (FHC) está cometendo contra o país, sua pena devia ser o fuzilamento", disse Bolsonaro, que foi capitão do Exército, após o almoço, no dia 28 de dezembro de 1999, no Rio. "Há um deputado que, a meu ver, a Câmara deve cuidar porque ele passou dos limites", disse FHC

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