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Correio Braziliense

Crise política não afeta, por enquanto, o humor do mercado financeiro

Os agentes econômicos, no entanto, temem que o embate entre Bebianno e Carlos possa atrapalhar a agenda econômica do governo


postado em 16/02/2019 07:00

Houve queda de 0,50% na Ibovespa, mas a preocupação maior é com a reforma da Previdência(foto: Miguel Schincariol/AFP - 29/01/19 )
Houve queda de 0,50% na Ibovespa, mas a preocupação maior é com a reforma da Previdência (foto: Miguel Schincariol/AFP - 29/01/19 )

Passada a euforia do pregão de quinta-feira, diante de novidades acerca da reforma da Previdência, ontem, os investidores diminuíram o apetite por aplicações de risco na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), acompanhando os desdobramentos da crise, protagonizada por Gustavo Bebiannoo e Carlos Bolsonaro. No último pregão da semana, o Ibovespa, índice que mede a lucratividade dos negócios da B3, encerrou em queda de 0,50%, aos 97.525 pontos.

Na sexta-feira, em reunião com o ministro da Casa-Civil, Onyx Lorenzoni, Bebianno teve a presença, à frente da Secretaria-Geral da presidência da República, mantida. Bolsonaro decidiu, ainda que de maneira temporária, suspender uma eventual decisão de exonerá-lo do cargo. Os agentes econômicos, no entanto, temem que o embate entre Bebianno e Carlos possa atrapalhar a agenda econômica do governo, afetando, de forma direta, a tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

Apesar do otimismo observado em Wall Street, em decorrência do progresso nas negociações entre Estados Unidos e China em torno do imbróglio tarifário, visto também nas bolsas mundiais, os operadores optaram por uma realização de lucros no pregão. Na visão de André Perfeito, analista da Necton, a partir da conjuntura política, os operadores precificarão, negativamente, a reforma da Previdência, caso ocorra problemas em sua tramitação.

“Já era sabido que Bolsonaro não tem muita habilidade política, ou seja, não é uma surpresa que episódios como esse ocorram. Por outro lado, sua família está criando muitos problemas internos, e isso tem um custo político. Agora, do ponto de vista do mercado financeiro, só iremos ver as consequências no momento em que as reformas tramitarem. Caso não vá bem, os imbróglios políticos serão mais agudos”, analisou. De acordo com Perfeito, em meio a um cenário doméstico turbulento, os investidores optaram por uma realização de lucros, após forte alta de 2,27% na quinta-feira.

Outra preocupação

Para Renan Silva, economista da BlueMetrix Ativos, a realização observada na bolsa é justificada pela forte alta do Ibovespa na quinta, e o conflito entre Bebbiano e Carlos será jogado para escanteio a partir do bom andamento da reforma no plenário. “O movimento não sinalizou nenhum tipo de pânico, mostrando que investidores continuam confiantes, até pelo fato de que o assunto previdenciário fala mais alto no que tange à questão de sobrevivência da classe política”, disse.

Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, o atrito entre Bebianno e Carlos não atrapalharia o andamento da reforma da Previdência. “Não tenho essa percepção, mas observo que o episódio é ruim para o mercado, ao mostrar que existe ruído no gerenciamento de grandes questões. Então, isso deixa o investidor ainda com muitas dúvidas em torno da real capacidade do governo de administrar assuntos de tal magnitude”, afirmou.

O dólar norte-americano encerrou a sexta-feira em queda de 1,07%, negociado a R$ 3,702, repercutindo ainda o anúncio do governo dos principais pontos da reforma da Previdência, agradando ao mercado. Na semana, a divisa estrangeira acumulou recuo de 0,81%.  Foi o menor valor de fechamento desde 5 de fevereiro (R$ 3,666).

Caso Fabrício na Gaecc

A investigação sobre a movimentação financeira suspeita de assessores do hoje senador e ex-deputado Flávio Bolsonaro (PSL), entre eles o ex-motorista Fabrício Queiroz, foi enviada nesta semana para o Grupo Especializado no Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público do Rio de Janeiro. A mudança indica um aprofundamento nas apurações, já que o Gaecc tem como função auxiliar na prevenção e repressão a crimes e infrações civis contra o patrimônio público ou que atentem contra a probidade administrativa. Segundo o Ministério Público, a ajuda do Gaecc será necessária porque os relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontaram as movimentações suspeitas na conta de Queiroz são complexos e levam tempo para serem analisados.
 
* Estagiário sob a supervisão de Leonardo Meireles 

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