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Correio Braziliense

Presidente autoriza Onyx a negociar a Previdência com o Congresso

Outra preocupação %u2014 essa mais da equipe econômica de Paulo Guedes %u2014 é que o projeto não se desidrate durante a tramitação


postado em 02/03/2019 07:00 / atualizado em 01/03/2019 23:19

O deputado Vitor Hugo aposta na leitura das ansiedades dos congressistas(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 7/2/19)
O deputado Vitor Hugo aposta na leitura das ansiedades dos congressistas (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 7/2/19)

A preocupação do Planalto com a PEC da reforma da Previdência não é apenas como ela será aprovada, mas em quanto tempo. Para isso, todo tipo de interlocução e diálogo com o Congresso se torna imprescindível. Um dos movimentos para acelerar o trâmite foi a convocação da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) como líder governista no Congresso. Ela é responsável pelas articulações em nome do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; do superministro da Economia, Paulo Guedes; e do próprio presidente Jair Bolsonaro.

O próprio Lorenzoni é uma ponte entre o governo e os parlamentares. O presidente autorizou o ministro a negociar em seu nome, usando cargos e emendas. E para não pegar mal com a população que o elegeu, Bolsonaro discursa para deixar claro que tal engenharia não faz parte do “toma lá dá cá” rechaçado na campanha eleitoral. Joice corrobora e também aparece para dizer que “não há nada de errado em oferecer emendas e cargos, mas que não há chantagem”. Entregue há 10 dias pelo presidente da República ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o projeto da Previdência está parado desde 20 de janeiro. Nem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro passo para análise do texto, foi instaurada.

Outra preocupação — essa mais da equipe econômica de Paulo Guedes — é que o projeto não se desidrate durante a tramitação no Congresso. “Ceder demais pode acabar sendo ruim para o presidente, que ficará refém das mudanças e terá que fatiar o projeto. Isso se tiver força suficiente para levá-la ao Planalto”, disse uma economista que trabalha ao lado de Guedes. Entretanto, ceder em alguns pontos é uma das estratégias para conseguir a aprovação da PEC. O Planalto se mostra flexível às questões do Benefício de Prestação Continuada (BPC), da mudança de idade mínima para aposentadoria de mulheres — que cai de 62 para 60 anos —, e nas questões envolvendo a realidade dos trabalhadores rurais e os agentes de segurança pública e militares (ainda não incluídos na proposta).

Líder


Entra aí também o trabalho do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), que minimizou o impacto de uma suposta diminuição da idade mínima das mulheres. Após reuniões no Planalto, o deputado afirmou que “as manifestações devem ser entendidas apenas como uma abertura no diálogo”. Vitor Hugo alega que o governo quer o documento original aprovado, mas há espaço para a negociação. “Neste primeiro momento, o governo vai defender o texto na íntegra. Sabemos que existem ansiedades em relação ao BPC, à questão rural e à idade mínima”, destacou o líder governista.

Para o cientista político Creomar Souza, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), o governo tem que ser duro no início, sem fazer muitas concessões. Uma das armas de Jair Bolsonaro, para ele, é a popularidade. Pela última pesquisa CNT, divulgada nesta semana, o presidente tem 57,7% de aprovação no país. Portanto, a preocupação deve ser não derrapar. “Ninguém imaginava que, antes do escândalo da JBS, Michel Temer (ex-presidente da República) não conseguiria aprovar a reforma da Previdência que tentou implementar”, lembra.

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