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Correio Braziliense

Velório de neto de Lula será realizado hoje em São Bernardo do Campo

Petista foi autorizado a se deslocar até São Paulo para acompanhar o enterro de Arthur Araújo Lula da Silva, que morreu em decorrência de meningite meningocócica. Essa é a segunda vez que o ex-presidente deixa a cela desde que foi preso


postado em 02/03/2019 07:00 / atualizado em 01/03/2019 23:26

(foto: Reprodução/Twitter)
(foto: Reprodução/Twitter)

Autorizado pela Justiça a sair da prisão para comparecer ao velório do neto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Paraná em um helicóptero disponibilizado pelo governador do estado, Ratinho Júnior — a aeronave não havia levantado voo até o fechamento desta edição. Ele participa neste sábado (2/3) do velório e do enterro do pequeno Arthur Araújo Lula da Silva, que morreu, aos 7 anos de idade, em decorrência de meningite meningocócica. O corpo será cremado ao meio-dia, no Cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo (SP). Essa é a segunda vez, desde que foi preso, em 7 de abril do ano passado, que o petista deixa o prédio da PF. A primeira foi para prestar depoimento à juíza Gabriela Hardt, que substituía Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba.

A defesa solicitou a liberação à 12ª Vara Federal com base no artigo 120 da Lei de Execuções Penais, que determina que “os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semiaberto e os presos provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão”. Lula ainda cumpre pena em regime fechado, em razão de uma condenação a 12 anos e um mês de cadeia, no âmbito da Lava-Jato, por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o triplex do Guarujá.

Essa foi a terceira vez que Lula solicitou autorização para deixar o local do cárcere, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para comparecer ao enterro de familiar ou amigo. A primeira vez veio após o falecimento do ex-deputado pelo Distrito Federal Sigmaringa Seixas. A defesa fez a solicitação alegando que ambos eram amigos íntimos havia mais de 30 anos. O político foi enterrado no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, em dezembro do ano passado. No entanto, o juiz Vicente de Paula Ataíde Júnior negou a solicitação, alegando que a proximidade entre os dois não é suficiente, por lei, para permitir a saída do petista.

A segunda ocasião foi em decorrência da morte do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em janeiro, vítima de um câncer. Após ter diversos pedidos negados, Lula foi autorizado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, a ir até uma base militar, na região do ABC Paulista, encontrar com parentes, e eventualmente ver o corpo do irmão, se fosse levado até o local. Mas como a decisão foi divulgada exatamente na hora em que ocorria o enterro, o ex-presidente preferiu não se deslocar.

Em todas as negativas judiciais, o argumento era a ausência de estrutura para o transporte e o risco para a segurança do ex-presidente e de agentes envolvidos. Desta vez, a defesa se comprometeu a não divulgar informações sobre os trechos por onde ocorreria o deslocamento do cliente. E manifestantes que estão acampados na “Vigília Lula Livre”, em frente ao prédio da PF, em Curitiba, evitaram aglomerações para cobrar a liberação. Ao longo da tarde de ontem, a solicitação, que estava aberta a qualquer pessoa no site da Justiça Federal, foi colocada em sigilo grau 4 — podendo ser acessada apenas pelo juiz do caso e alguns servidores do Poder Judiciário.

A presidente do PT, Gleisi Hoffman, falou com Lula ainda na cela, logo após ele ser informado sobre a morte do neto. “Ele disse que não esperava uma notícia como essa. Que deveria ser proibido um pai enterrar um filho ou um avô enterrar um neto. Chorou várias vezes durante a tarde”, afirmou Gleisi.

Comentário polêmico


O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) criticou a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ir ao enterro do neto. Em uma mensagem publicada no Twitter, na tarde de ontem, horas após a notícia, Eduardo afirmou que a possibilidade de saída da prisão deixa Lula “posando de coitado”. O comentário foi publicado em resposta a um outro usuário e logo ganhou repercussão nas redes sociais. “Lula é preso comum e deveria estar num presídio comum. Quando o parente de outro preso morrer, ele também será escoltado pela PF para o enterro? Absurdo até se cogitar isso, só deixa o larápio em voga posando de coitado”.

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