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Correio Braziliense

Bolsonaro lembra homenagem a Ustra e diz que nazismo era de esquerda

Presidente disse a grupo de brasileiros que repercussão negativa de seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff não o impediu de se tornar presidente


postado em 02/04/2019 15:02 / atualizado em 02/04/2019 19:55

Jair Bolsonaro, presidente da República Federativa do Brasil(foto: Debbie Hill/AFP/POOL )
Jair Bolsonaro, presidente da República Federativa do Brasil (foto: Debbie Hill/AFP/POOL )
 

Jerusalém, Israel — No último compromisso do terceiro dia da viagem oficial a Israel, o presidente Jair Bolsonaro recebeu um grupo da comunidade de brasileiros da cidade de Raanana, a quase 50km de Jerusalém. No encontro, o presidente voltou a causar polêmicas ao resgatar, mesmo sem citar nome, um dos maiores torturadores do Brasil e a afirmar que o nazismo foi um movimento de esquerda.

 

Ele disse aos convidados que, seu voto pela abertura do processo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, se transformou em uma notícia negativa tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Na época, prosseguiu, afirmaram que ele não “ganharia nem para ser prefeito de sei lá onde”. “Aconteceu o contrário, eu virei presidente”, concluiu.

 

Em 2016, ao declarar o seu voto, Bolsonaro fez uma homenagem à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chamando-o de “o pavor de Dilma Rousseff”. Ustra é considerado um dos maiores torturadores do regime militar no Brasil.

 

Na saída do encontro com a comunidade de Raanana, ele causou outra polêmica: compartilhou a opinião controversa do ministro das relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que o nazismo é um movimento de esquerda. "Não há dúvida, né? Partido socialista… Como é que é?.. da… da... Alemanha. Partido Nacional Socialista da Alemanha. Sim", frisou.

 

Pouco mais tarde, o ministro Araújo voltou a defender sua teoria de que o nazismo é um movimento de esquerda. Ao ser questionado sobre qual é a avaliação dele sobre o fato de o Museu do Holocausto, que foi visitado pelo presidente, definir o nazismo como movimento de direita, ele desconversou.

 

"Essas definições de esquerda e direita... tem que ser visto o que se entende por elas. A questão é comparar o conteúdo das coisas. Não necessariamente os termos", disse ele, acrescentando que lançou esse debate porque defende que as pessoas discutam mais o conteúdo dos movimentos totalitários e busquem o que eles têm em comum. 

 

Para o chanceler, é preciso aprofundar as definições do que se entende por totalitarismo, extrema direita e extrema esquerda ao longo da história, sobretudo a do século 20. "Muitas vezes, a associação do nazismo com a direita foi usada para denegrir movimentos e linhas de pensamentos que são considerados de direita e que não tem nada a ver com o nazismo", afirmou. Ele contou que procurou apontar essa questão para que as pessoas estudem tentem ler a história, "de acordo com uma perspectiva mais profunda e não de forma superficial".

 

Ao ser questionado sobre o viés político de o presidente ter ido ao Muro das Lamentações, na semana das eleições no próximo dia 9, Araújo negou. “Foi um momento de homenagem da religião judaica”, afirmou. “Não vemos como uma questão política”, emendou.

 

Pauta positiva

Ao ser questionado sobre a menção ao voto por ter citado Ustra e ser cobrado de mais explicações sobre a opinião em relação ao nazismo, ele se queixou da imprensa e disse que ela “só quer dar notícia negativa”.

 

“Eu quero tratar vocês com o respeito que vocês merecem. Essas perguntas menores vão servir para dar manchete negativa nos jornais. No Brasil eu respondo para vocês. Aqui, a pauta foi positiva. Foi positiva aqui, foi positiva no Chile, foi positiva nos Estados Unidos, vai no Japão (no fim de junho) e na China (no segundo semestre)”, afirmou ele, referindo-se ao encontro de líderes do G20, grupo das maiores economias desenvolvidas e emergentes do planeta.

 

A cúpula do G20 ocorrerá na cidade japonesa de Osaka, entre 28 e 29 de junho. “Essa é que é a ideia da nossa saída (do país). O Brasil tem potencial que ninguém tem. E nós precisamos aproximar cada vez mais desses países que podem colaborar muito com a nossa economia e com o nosso progresso”, completou. Ele confirmou que também visitará um país árabe do Norte da África na segunda metade do ano. “Temos vários convites”, disse.

 

O presidente retorna ao Brasil amanhã (3/4). A volta foi antecipada em algumas horas por questões logísticas.

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