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Correio Braziliense

Brasil envia memorando à ONU afirmando que não houve golpe militar em 1964

No documento enviado à entidade, governo federal afirma ainda que as tropas agiram para conter ameaça comunista


postado em 04/04/2019 14:45 / atualizado em 04/04/2019 14:55

(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

 
Em um documento enviado à Organização das Nações Unidas (ONU), o governo do presidente Jair Bolsonaro afirma que "não houve golpe em 1964" e que os "militares agiram para conter a ameaça comunista". O texto cita ainda que o Exército agiu no contexto da guerra fria.

A íntegra do memorando foi obtida pela BBC News
. O posicionamento foi enviado pelo Itamaraty, na quarta-feira (4/3) a Fabian Salvioli, relator especial da ONU sobre Promoção da Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição, em razão de críticas feitas por ele sobre a "comemoração" do golpe de 64 e a tentativa de desvirtuar a história do período de 21 anos.

O golpe


Após a tomada de poder pelos militares, que derrubaram o presidente João Goulart, foram promulgados diversos atos institucionais, que alteraram a Constituição da época para dar poder ao Estado para suprimir direitos individuais e coletivos, como o de voto, de reunião, de manifestação de pensamento e a liberdade de ir e vir.

Goulart foi deposto após militares marcharem de Minas Gerais rumo ao Rio de Janeiro, com o claro objetivo de retirar o presidente do cargo. Ele fugiu para o Rio Grande do Sul, e foi deposto pelo Senado, sob a justificativa de que teria deixado o país sem autorização do Legislativo. No entanto, ele ainda estava em território nacional e só deixou o Brasil dois dias depois.

Uma pesquisa, feita na época, e divulgada recentemente pelo Ibope, aponta que Goulart tinha aprovação de 64% da população da época. Fato que hoje é contestado pelo governo. Os militares receberam apoio do parlamento, de parcelas conservadoras e religiosas da população e de grandes grupos de imprensa.

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