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Correio Braziliense

Para Felipe Salto, cortes nas universidades são uma 'escolha política'

O diretor executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), foi entrevistado nesta terça-feira (7/5), pelo CB Poder


postado em 07/05/2019 17:00 / atualizado em 07/05/2019 18:16

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
O diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, Felipe Salto, afirmou, nesta terça-feira (7/5), em entrevista ao programa CB.Poder, uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, que os cortes de investimentos em universidades é uma escolha política devido à falta de planejamento do país. Da mesma forma, o diretor explicou que é necessário focar nas reformas da Previdência e administrativa para haver maior preservação da educação e da saúde. 


 


Segundo o diretor, o corte de verbas de algumas universidades públicas, anunciado na última quinta-feira (2/5), não deveria ser feito. Porém, devido ao quadro fiscal que o Brasil se enquadra, ela precisou entrar nos ajustes econômicos. "O Brasil passa por um quadro de crise fiscal e econômico gravíssimo. A fatura vai cair sobre todo mundo. A educação deveria ser ao máximo preservada, mas infelizmente acaba entrando nos ajustes", explicou.




Salto assegura que, se o governo quiser preservar verbas de saúde e educação, deve focar em algumas reformas, como a da Previdência. "Se o país quer manter algumas áreas como prioritárias, tem que fazer com que o rombo da Previdência cresça menos e os salários também. O Brasil precisa decidir pra onde quer direcionar o dinheiro que está cada vez mais escasso", admitiu.

Para o diretor, para não haver mais restrições em sistemas essenciais, a economia precisa se recuperar. "Se a economia não se recuperar, vai ser difícil a arrecadação gerar resultados suficientes para que a despesa não seja tão grande. Infelizmente, o ajuste vai ser significativo no lado do gasto", disse. 
Da mesma forma, Salto explicou que a raiz de todos os problemas é a pressão que o gasto do governo faz sobre a economia. Segundo ele, a carga tributária e a dívida brasileira estão esgotadas. De acordo com dados do IFI, mesmo com a aprovação da Reforma da Previdência, a dívida brasileira deve subir até 2023. "A dívida está em cerca de 78% e está aumentando. Deve atingir 82,7% em 2023, mesmo com a aprovação da reforma", explicou.

Segundo ele, o que mais pesa no orçamento brasileiro são os gastos com pessoal, que são as raízes da reforma. Todavia, para melhorar a situação fiscal do país, é preciso fazer outros ajustes, os quais já estão com perspectiva no Senado. "Já há uma percepção maior no Congresso de que se precisa fazer ajuste fiscal. Não fazer significa voltar a um período anterior ao Plano Real”, garantiu. 

Caso a reforma da Previdência não seja aprovada, Felipe explicou que haverá um aumento da inflação e do desemprego. "Todos os setores estão em temperatura morna. Se a reforma não passar, o quadro piora mais", disse. Para ele, o Estado ainda precisa ser forte e eficiente, com gestão mais eficaz e políticas públicas eficientes. 

Para o economista, o governo precisa focar mais em eficiência do Estado do que em ideologias. "O Brasil perde tempo com esse tipo de discussão que não leva a nada. Ele precisa de concentração  de esforços para que voltemos a crescer", afirmou. De acordo com Salto, acordos comerciais poderiam ajudar no crescimento. "Há uma agenda enorme de coisas a serem feitas que precisam ser tocadas", confirmou. 

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