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Correio Braziliense

Planalto desmente deputados e diz que cortes na Educação estão mantidos

Deputados do PSL afirmaram que o presidente Bolsonaro havia voltado atrás no contigenciamento, mas Planalto nega a informação


postado em 14/05/2019 19:55 / atualizado em 14/05/2019 22:46

(foto: CB/D.A Press)
(foto: CB/D.A Press)
Na véspera de uma paralisação dos trabalhadores de educação contra cortes no orçamento das universidades federais, parlamentares da base do governo e o Palácio do Planalto soltaram informações contraditórias sobre como o governo deve agir com relação ao tema.

Mais de um deputado do partido de Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta terça-feira (14/5), que o presidente havia telefonado para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e ordenado que a pasta voltasse atrás no corte de cerca de 30% nos orçamentos das universidades. A informação foi confirmada ao Correio pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e repetida até mesmo pelo líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO).

Pouco depois, no entanto, tanto os Ministérios da Educação e da Economia quanto a Casa Civil desmentiram, por meio de notas, o que os parlamentares diziam. "Não procede a informação de que haverá cancelamento do contingenciamento no MEC. O governo está controlando as contas públicas de maneira responsável", afirmava o texto divulgado pelo MEC e pela Casa Civil.

Já a pasta chefiada por Paulo Guedes divulgou outro texto: "O Ministério da Economia esclarece que não houve nenhum pedido por parte da Presidência da República para que seja revisto contingenciamento de qualquer ministério".

A oposição aproveitou as informações desencontradas para criticar novamente o governo. "Temos notícias desencontradas de que teria havido um recuo do presidente em relação a esses cortes. Ninguém sabe ao certo em que acreditar, em qual tuíte, em qual telefonema. O fato é que mesmo esse recuo é insatisfatório. Amanhã nós estaremos na rua", afirmou a deputada Margarida Salomão (PT-MG).
 

'Decisão tomada'

 
Depois de ter sido desmentido pelo Planalto em relação ao recuo no corte de verbas para a educação, o líder do governo na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), comentou que, ao negar a decisão, a Casa Civil “está desmentindo o próprio presidente da República”. O deputado falou sobre o assunto na Câmara, nesta terça-feira (14/5), após ter visto a nota do governo. 

Waldir voltou a dizer que esteve no Palácio do Planalto com mais ou menos 10 líderes partidários nesta terça-feira (14/5), para “bater um papo com o presidente”. Eles se reuniram a convite do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). A ideia era conversar sobre MP 870, reforma da Previdência e outros assuntos de interesse do governo, mas eles aproveitaram a oportunidade para pedir que o presidente Jair Bolsonaro recuasse na medida de contingenciamento de recursos a universidades e institutos federais.

O líder do PSL afirmou que o presidente atendeu “prontamente” ao pedido, no que ele considerou um claro aceno ao Parlamento. “Pegou o telefone, ligou para o ministro da Educação e disse: ‘ó, a decisão tá tomada. Sem cortes e contingenciamento, não quero. Decisão tomada’”, contou o deputado. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, teria tentado argumentar, mas, segundo Waldir, Bolsonaro foi enfático na decisão. 

O ministro Onyx Lorenzoni não participou da reunião. “Chegou no evento após a conclusão”, disse Waldir. “Talvez não tenha tido tempo de estar com o presidente após o fato e lançou essa nota”, ponderou, em relação à nota da Casa Civil desmentindo o recuo. “Talvez ele (Onyx) desconheça essa decisão, mas isso nos foi passado pelo presidente da República. Então, na verdade, a Casa Civil está desmentindo não eu, mas o próprio presidente da República." 
 

Ministro convocado

Pouco antes, a Câmara havia imposto mais uma derrota ao governoe aprovado a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao plenário, nesta quarta-feira (15/5).

A visita foi marcada para o mesmo dia em que ocorrem as manifestações nacionais contra os cortes de verbas para universidades públicas e institutos federais, medida que ele precisará explicar aos deputados.

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