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Correio Braziliense

Opinião: Um homem e suas circunstâncias


postado em 19/05/2019 11:04

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Nesta semana, eu e Denise Rothenburg tomamos um café com o ex-presidente José Sarney. E um café com o homem que detém a trajetória mais longeva da política brasileira não é apenas um café. São 52 anos só de parlamento (12 como deputado e 40 como senador), fora o tempo como governador e presidente da República. O cafezinho se estendeu para uma conversa de mais de quatro horas e rendeu uma hora e meia de entrevista gravada. Está hoje nas páginas deste jornal um conjunto de reflexões sobre o Brasil, que vale cada segundo da sua leitura. Sim, porque Sarney é história.

Sarney enfrentou a ditadura Vargas, na UDN; viveu o período pré-64; o regime militar; participou do processo de redemocratização do país. O que se aprende com um homem que passou a maior parte da vida exercitando a arte da política? Que um país é feito de suas circunstâncias internas, da conjuntura internacional, da velocidade do tempo presente. Mas o que se aprende com um político que tem a memória dos grandes momentos brasileiros? Aprende-se a ver o Brasil compreendendo seus processos.

Nada como ter experiência vivida e contexto histórico para traçar boas análises das circunstâncias atuais. Em determinado momento, Sarney reconhece a grandeza de um país que colocou um operário no posto mais alto da nação sem ter de pegar em armas. “O Brasil ficou mais justo com Lula”, reconhece. E, agora, torce para que Bolsonaro contorne as dificuldades atuais. “Bolsonaro está no meio de um furacão. Pela primeira vez, estamos num momento em que é imprevisível. Fratura no Judiciário, no Legislativo e no Executivo. Todas essas estruturas estão trincadas”, resumiu.

Sarney falou sobre adversários sem mágoas ou rancores. Sobre reforma da Previdência e a deturpada visão de que esta é a única reforma que dará jeito no Brasil. Sobre a indecente profusão de partidos, as sequelas e feridas da Constituição de 1988, as trincas nos Três Poderes constituídos e sobre o excessivo poder do Ministério Público – a seu ver, prejudicial. Mas falou também sobre a vocação para a literatura e sobre a emoção de ter conhecido Irmã Dulce. “Ela já era santa, agora é formalidade.”
 

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