"Podem se manifestar à vontade, mas a frase que tem sido dita sobre o desmonte é absolutamente inverídica. Ao contrário, o desmonte foi herdado de gestões anteriores. Quem recebeu a fragilidade orçamentária, fui eu. Quem recebeu um déficit gigantesco de funcionários, fui eu. Quem recebeu frotas sucateadas e prédios abandonados, fui eu. Portanto, se houve desmonte, houve antes, não agora", declarou Salles.
Durante os cerca de 15 minutos de fala de Salles, parte do público permaneceu de costas para o ministro. Aliado ao discurso de que não quer abalar a estrutura do Ministério do Meio Ambiente, ele disse que tenta reverter o quadro com uma boa gestão e investimentos mais eficientes.
"Evidentemente, tenho a missão de defender aquilo que fazemos no ministério e fazemos porque temos convicção de que são medidas necessárias para a preservação do meio ambiente. Para a defesa da nossa riqueza e sustentabilidade. Também para a continuidade desse legado para as gerações futuras. Não há pessoa minimamente razoável que possa negar o valor da defesa do meio ambiente", destacou.
Ao fim da sua fala, Salles recebeu mais vaias e deixou a sessão alegando ter outro compromisso. Enquanto saía do plenário, o ministro ouviu gritos de "fujão", "vergonha" e "fraco". Outros senadores que discursariam na sequência, como Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pediram que Salles permanecesse no Senado para ouvir as ponderações dos parlamentares. No entanto, Salles se despediu da mesa e não voltou atrás.
Questionado por jornalistas após a reação do plenário, ele respondeu que "a democracia é assim, cada um pode ter a reação que quiser".