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Correio Braziliense

CPI do BNDES marca data para ouvir Joaquim Levy, ex-presidente do banco

Levy, que pediu demissão no domingo, será ouvido no dia 26. A CPI investiga práticas ilícitas ocorridas na gestão do banco entre 2003 e 2015


postado em 17/06/2019 16:44 / atualizado em 17/06/2019 17:02

O economista Joaquim Levy, que pediu demissão da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no último domingo (16/6), será ouvido, em 26 de junho, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga práticas ilícitas ocorridas na gestão do banco entre 2003 e 2015. 

 

A convocação foi feita em março pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO) e aprovada em 9 de abril, mas ainda não havia data marcada. Nesta segunda-feira (17/6), o presidente da comissão, Vanderlei Macris (PSDB-SP), agendou para 26/6. Como se trata de convocação, e não de convite, Levy é obrigado a participar. 

 

"Queremos saber o real motivo que levou ao pedido de demissão de Levy. E precisamos que ele explique exatamente o conteúdo da caixa preta do BNDES, inclusive com detalhes sobre empréstimos a grandes grupos, como Vale, JBS e Odebrecht. Na gestão de Levy, 57% dos recursos do Banco foram destinados a empresas de grande porte", comentou o deputado Elias Vaz.

 

Levy saiu do cargo após ter sido ameaçado publicamente de demissão pelo presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que a cabeça dele “estava a prêmio”. Bolsonaro não gostou da escolha para a Diretoria de Mercado de Capitais, que passou a ser comandada pelo advogado Marcos Barbosa Pinto, que trabalhou no banco nos governos da ex-presidente Dilma Rouseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT. 

 

Levy também teve cargos na área econômica nas gestões petistas. Em 2015, foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff. No governo Lula, entre 2003 e 2006, foi secretário do Tesouro Nacional. Antes, em 2000, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), já havia trabalhado como secretário-adjunto na Secretaria de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda. 

 

Atenções divididas

A data para participação de Levy na CPI é a mesma em que o ministro Sergio Moro prestará esclarecimentos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, pelo teor do vazamento das conversas com o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol. Na próxima quarta-feira (19/6), Moro será ouvido na CCJ do Senado. 

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