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Correio Braziliense

Prefeito de Florianópolis é preso sob suspeita de participar de grupo criminoso

Um delegado da PF também é alvo da ação. Eles são suspeitos de participar de uma organização criminosa que violaria o sigilo de operações policiais em Santa Catarina


postado em 18/06/2019 12:52 / atualizado em 18/06/2019 12:53

(foto: PMDB/Divulgação)
(foto: PMDB/Divulgação)
A Policia Federal (PF) prendeu, na manhã desta terça-feira (18/6), o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (sem partido); o delegado Fernando Caieron, da própria PF; e o ex-secretário estadual da Casa Civil Luciano Veloso Lima.

Eles são suspeitos de participar de uma organização criminosa que violaria o sigilo de operações policiais em Santa Catarina, além de construir um esquema para bloquear o monitoramento de órgãos públicos.

Chamada de Chabu, a operação ainda cumprirá outros mandados de prisão ao longo do dia, além de promover busca e apreensão em endereços dos suspeito.

De acordo com a PF, a organização criminosa era composta por políticos, empresários e policiais da PF e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) lotados em serviços de inteligência. O grupo buscava atrapalhar investigações policiais em troca de vantagens financeiras.

As provas da investigação, segundo a PF, apontam prática de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e corrupção ativa.

 

Operação

Agentes cumprem 30 mandados, sendo 23 de busca e apreensão e sete de prisão temporária, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Os crimes foram descobertos a partir da análise dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018.

 

A PF identificou que a organização criminosa teria formado uma rede de políticos, empresários e servidores da própria corporação e também da PRF lotados em órgão de inteligência e investigação.

 

Segundo a PF, o grupo "embaraçava investigações policiais em curso e protegia o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas".

 

A investigação apurou ainda que a quadrilha vazava sistematicamente informações sobre operações policiais que ainda seriam deflagradas e também contrabandeava equipamentos de contra inteligência para montar "salas seguras", à prova de monitoramento, em órgãos públicos e empresas.

 

A PF investiga associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa e tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

 

'Falha'

 

A Polícia Federal ressaltou que o nome da operação, "Chabu", significa "dar problema, dar errado, falha no sistema". "O termo é utilizado em festas juninas quando falham fogos de artifício e era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer", destacou a PF.

 

Defesas

Gean Loureiro estava prestando depoimento à polícia no final da manhã desta terça-feira. A assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que vai esperar ter mais informações para se pronunciar. A reportagem não localizou os advogados de Caieron e de Veloso Lima, que atuou na gestão do ex-governador do Estado Pinho Moreira (MDB), em 2018. O espaço está aberto para as manifestações dos citados.

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