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Correio Braziliense

CB.Poder: especialista vê Bolsonaro na cúpula do G20 como teste coletivo

Para o cientista político Creomar de Sousa Lima, participação do Brasil depende da capacidade da delegação de entregar um pacote inteligível e da capacidade do presidente de angariar simpatias


postado em 25/06/2019 19:49 / atualizado em 25/06/2019 21:39

(foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)

Em entrevista ao CB.Poder, uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, o cientista político Creomar de Sousa Lima avalia como um teste coletivo a participação do presidente Jair Bolsonaro na cúpula do G20, a partir da sexta-feira (28/6), em Osaka, no Japão. "O fórum é um espaço de negociação que nos últimos anos o país utilizou para avançar em uma série de temas importantes. Nesse sentido, acaba sendo um teste coletivo diferente para Bolsonaro daquilo que foi visto por exemplo na viagem aos Estados Unidos e Israel, onde havia uma certa sintonia. É um espaço mais plural em que o presidente vai ter que testar um pouco mais da sua desenvoltura e capacidade de diálogo", avalia. 

Tendo em vista que o esperado encontro entre Donald Trump e Xi Jinping deve ser o protagonista na negociação da guerra comercial entre Estados Unidos e China, ele avalia a participação do Brasil. "O fato é de que a China é, sem sombra de dúvida, um dos nossos principais parceiros comerciais, só a possibilidade do presidente ter um encontro reservado já é um grande ativo." Segundo ele, tudo depende da capacidade da delegação de entregar um pacote inteligível e da capacidade do presidente de angariar simpatias.

Em relação à imagem negativa do Brasil no exterior, tendo em vista o noticiário, o cientista político pontua as questões em torno da melhoria das relações internacionais. "Esse processo envolve a necessidade do presidente e do seu time de relações internacionais fazerem o polimento da imagem e, talvez nesse aspecto, a dificuldade esteja muito mais vinculada a uma curva de aprendizado", diz. 

Uma das grandes críticas ao governo é em relação à agenda política que vem priorizando costumes em vez de urgências. "Essa dificuldade de exercer uma prioridade talvez esteja muito vinculada ao governo compreender que é mais fácil focar nos costumes do que a janela de tempo da agenda econômica." Ele considera que o foco na base eleitoral mapeia as prioridades do governo. "Nas manifestações de suporte ao presidente, nenhuma delas estava pedindo emprego nem controle da inflação. Tinham uma agenda bem específica, de costumes, de combate à corrupção, que suporta as decisões de Bolsonaro", analisa. 

Creomar acredita que a Reforma da Previdência deve ser aprovada pela esforço do Congresso. "Vai sair porque o Legislativo quer e provavelmente deve encampar uma reforma tributária e todas as mudanças e modernizações que vão ocorrer para tornar o país mais competitivo. A Presidência em algum sentido tem tentado se manter fiel ao seu eleitorado", conclui. 
 
Confira a entrevista na íntegra:
 
 

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