Osaka (Japão) ; Em mais um lance de alinhamento com os Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro se encontrou, ontem, com o norte-americano Donald Trump durante a cúpula de líderes do G20. ;Somos países que, juntos, podem fazer muito pelos seus povos, de modo que possamos fazer parcerias e desenvolver o nosso país;, disse o brasileiro.
Trump, por sua vez, afirmou que Bolsonaro é um ;homem especial; e querido pelo povo brasileiro. ;O relacionamento entre Brasil e Estados Unidos nunca esteve nesse porte.; Segundo o norte-americano, o Brasil tem todas as riquezas. ;É um país fantástico, de pessoas incríveis. E temos um grande comércio.; O encontro entre os dois ocorreu na tarde desta sexta (madrugada no Brasil).
Bolsonaro, assim como no primeiro encontro entre os dois na Casa Branca, em maio, frisou que torce pela reeleição do colega em novembro de 2020. ;Espero que nos visite antes das eleições. É motivo de orgulho, para mostrar ao mundo que a política do Brasil mudou de verdade.; O chefe do Planalto disse que sempre admirou Trump.
O pano de fundo da cúpula do G20 é a disputa comercial entre chineses e norte-americanos, com denúncias de espionagem e ;terrorismo econômico;. Há expectativa de um encontro entre Trump e Xi Jinping, presidente da República Popular da China. A agenda entre Bolsonaro e o chinês está prevista para ocorrer neste sábado.
;Parece que tem um rumor de que eu vou me encontrar com Xi Jinping. Acho que vai ser produtiva a reunião;, destacou Trump na conversa com Bolsonaro. No Brasil, enquanto parte do governo defende ampliar exportações para a China, outro grupo, ligado ao guru Olavo de Carvalho, rejeita relações com o país asiático. Um dos defensores dos negócios com a China é o vice-presidente Hamilton Mourão.
A Venezuela também foi tema da rápida conversa entre Trump e Bolsonaro. ;Estamos de acordo em libertar a Venezuela. Estamos prestando ajuda, mandando comida;, disse o norte-americano. No fim do dia, o porta-voz da Presidência, general Otavio do Rêgo Barros, afirmou que se estudam medidas de pressão para países que apoiem o governo venezuelano de Nicolás Maduro. O militar não detalhou que medidas seriam essas. ;Estamos falando em tese.;
Macron
Vinte e quatro horas depois de ser criticado pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo presidente francês Emmanuel Macron, Bolsonaro se encontrou com os dois líderes europeus. No encontro com o francês, os temas giraram em torno do acordo União Europeia e Mercosul, fronteiras e questões climáticas. Segundo Rêgo Barros, o clima do encontro foi tranquilo. O dirigente europeu havia dito, um dia antes, que não assinaria um acordo com o Mercosul se Bolsonaro concretizasse a intenção de retirar o Brasil do Acordo de Paris sobre o clima. Merkel, por sua vez, havia afirmado que queria uma conversa clara sobre o desmatamento no Brasil e foi duramente rebatida por integrantes da comitiva brasileira e pelo próprio Bolsonaro.
Diplomacia
O presidente Jair Bolsonaro disse que pode ser possível uma visita do presidente norte-americano, Donald Trump, à América do Sul. ;Graças
a Deus, a América Latina está deixando de ser de esquerda para ser de centro-direita e até mesmo de direita.; Ele defendeu sanções contra a Venezuela e parceiros que ajudem os regimes. ;Se dependesse de mim,
isso seria feito.; Sobre a China ; ontem estava previsto um encontro
com o presidente Xi Jinping ;, afirmou ter as melhores expectativas.