Publicidade

Correio Braziliense

Bolsonaro se agarra a evangélicos para manter a popularidade

Ele demonstrou isso ao se tornar o primeiro presidente da República a participar da Marcha para Jesus, em São Paulo, há duas semanas, onde se lançou, prematuramente, candidato à reeleição


postado em 30/06/2019 07:56 / atualizado em 30/06/2019 07:56

Bolsonaro foi o primeiro presidente da República a participar da Marcha para Jesus(foto: Isac Nobrega/PR)
Bolsonaro foi o primeiro presidente da República a participar da Marcha para Jesus (foto: Isac Nobrega/PR)
Mesmo pressionado por resultados, o presidente Jair Bolsonaro  tem apostado em estratégias para deixar vivos os seus ideais e os seus últimos movimentos mostram que ele quer manter o prestígio com a parte da população mais conservadora, que o alavancou ao posto de presidente. As provas mais recentes foram as nomeações de amigos para comandar secretarias de governo. Com velhos conhecidos no primeiro escalão do Executivo, Bolsonaro deve garantir que os seus métodos de governo não sejam contestados. Ao mesmo tempo, nas ruas, o presidente tenta aumentar a popularidade ao sensibilizar segmentos tradicionais da sociedade a fazerem coro aos seus apoiadores mais radicais.

Ele demonstrou isso ao se tornar o primeiro presidente da República a participar da Marcha para Jesus, em São Paulo, há duas semanas, onde se lançou, prematuramente, candidato à reeleição. “Se não tiver uma boa reforma política. Se o povo quiser, estamos aí”, disse, contrariando promessa de campanha, quando afirmou que, se eleito, ficaria no cargo por apenas um mandato. Na Marcha, ele defendeu a “família respeitada e tradicional”, se definiu como um presidente cristão e atribuiu a vitória nas urnas à vontade de Deus. Com isso, pelo menos até o fim do ano, tem nos brasileiros mais conservadores uma base de apoio para presidir o país.

“A precarização do capitalismo fez a sociedade pedir soluções. Uma parte dos brasileiros começou a perceber que as gerações mais novas não conseguiam reproduzir o padrão de vida de antigamente nem apresentar perspectivas de evolução para o futuro. Nesse sentido, apostar no conservadorismo parece a resposta para tudo, mesmo que de maneira simplista”, analisa a professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, Débora Guimarães.

Ideologia de Gênero

A sociedade brasileira, que é adepta aos princípios mais conservadores, tem absorvido o discurso inflamado do presidente durante a corrida eleitoral, de ataque à esquerda e marcado pelo incentivo ao patriotismo. “Quando um cidadão conservador vê que o presidente fala abertamente sobre assuntos como o combate à ideologia de gênero e é incisivo quanto a questões envolvendo raças e etnias, ele perde o medo de se manifestar e se sente autorizado a ter as mesmas práticas. Ou seja, se nem o presidente mantém uma postura do que é considerado politicamente correto, por que o cidadão comum tem de ter controle sobre isso?”, analisa Guimarães.

O reflexo disso é um Brasil majoritariamente conservador. Desde 2010, o instituto Ibope Inteligência fez três estudos para analisar como o conservadorismo está arraigado entre os habitantes do país. O mais recente, de 2018, mostrou que o índice de brasileiros com alto grau de conservadorismo é de  55% — há nove anos, era 49%. “Mesmo com todos os presidentes mais liberais que já estiveram no poder, ainda carregamos uma carga pesada da formação social e racial do país. O Brasil tem uma história conservadora forte, tanto que viveu quase 400 anos de escravidão. Parte desse posicionamento mais duro perdura até hoje”, completa. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade