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Dallagnol recusa convite para debater conversas vazadas no Congresso

Em ofício enviado a comissões da Câmara e do Senado, Dallagnol diz acreditar que suas manifestações sobre diálogos atribuídos a ele devem ocorrer na ''esfera técnica''

Thays Martins
postado em 08/07/2019 19:48
Deltan Dallagnol fala em um microfoneO coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, declinou os convites para que prestasse esclarecimentos no Congresso Nacional sobre mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil. Ele havia sido chamado para comparecer à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) nesta terça-feira (9/7) e à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ) em data a ser agendada.

Em ofício enviado aos dois colegiados nesta segunda-feira (8/7), Dallagnol disse considerar que suas manifestações a respeito dos diálogos atribuídos a ele, ao minstro da Justiça, Sérgio Moro e a outros procuradores devem ocorrer na "esfera técnica".

Autor do convite para a audiência na Câmara, o deputado Rogério Correia (PT/MG) disse que os diálogos trocados por meio do aplicativo Telegram demonstram uma ação que interferiu no trabalho do Ministério Público Federal e que, por isso, gostaria de ouvir Dallagnol.

Na CCJ do Senado, o convite ao procurador foi aprovado no último dia 18. O requerimento foi apresentado pelo senador Angelo Coronel (PSD/BA) e a ideia era apurar a "suposta e indevida coordenação de esforços" na Operação Lava-Jato.


Congresso ouve as outras partes

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, atendeu os convites feitos pelo Senado e pela Câmara, onde o ex-juiz compareceu na semana passada. A sessão foi marcada por bate-bocas entre os deputados e, mais uma vez, Moro disse que as mensagens podem ter sido alteradas.

Na próxima quinta-feira (11/7), será a vez do jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do site responsável pela divulgação das conversas, ser escutado pelos senadores. O convite ao jornalista partiu do senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), líder da oposição no Senado. De acordo com ele, a justificativa é de que o conteúdo revelado mostra que membros do Ministério Público e do Poder Judiciário agiram contra os princípios da imparcialidade.

Glenn já compareceu a Câmara dos Deputados onde reafirmou a autenticidade das conversas e disse ter sofrido diversas ameaças depois da divulgação das matérias.

Desde 9 de junho, o site The Intercept Brasil tem divulgado reportagens com conversas atribuídas ao ministro Sergio Moro e aos procuradores da Lava Jato, que teriam sido trocadas durante as investigações da operação.

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