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Correio Braziliense

Gustavo Montezano promete abrir ''caixa-preta'' do BNDES até fim do ano

O novo presidente da instituição pretende mostrar financiamentos que não são de interesse do país até o fim do ano


postado em 16/07/2019 13:37 / atualizado em 16/07/2019 14:44

(foto: Marcos Corrêa/PR)
(foto: Marcos Corrêa/PR)
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, disse, durante cerimônia de posse do cargo, que, entre as metas estabelecidas para a instituição até o fim do ano está a abertura da “caixa-preta” do passado para mostrar financiamentos de empreendimentos que não são de interesse do Brasil. O evento ocorreu na manhã desta terça-feira (16/7) no Palácio do Planalto. 

Gustavo Montezano fez um discurso que agrada o presidente da República, Jair Bolsonaro. Amigo do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e deputado federal Eduardo Bolsoanro (PSL-SP), ele foi convocado para ocupar o cargo no lugar do economista Joaquim Levy, que deixou o comando do BNDES após desentendimentos com o presidente. 

O novo presidente da estatal enfatizou que a instituição será “menos banco e mais desenvolvimento”. De acordo com ele, o BNDES será peça fundamental para a recuperação da economia e melhora da situação das contas públicas. Ele traçou cinco metas para serem cumpridas em 2019. 

Entre elas, “explicar a caixa-preta para a população brasileira”. Há um empenho do próprio presidente Jair Bolsonaro para que sejam divulgados dados de financiamentos feitos pelo BNDES em outros países, como Cuba e Venezuela, durante as gestões petistas. Joaquim Levy deixou o cargo por “falta de transparência”, segundo o presidente. 

Além disso, Montezano quer acelerar a venda de participações especulativas que o banco ainda tem na Bolsa de Valores em R$ 100 bilhões. Também quer pagar R$ 126 bilhões ao Tesouro Nacional, em devolução de recursos aplicados no banco entre 2008 e 2014 para aquecer a economia. 

O presidente do BNDES pretende apresentar para o governo e sociedade um plano trianual com orçamento e “metas claras”, além de um redirecionamento das políticas adotadas. “Vamos melhorar de forma substancial a prestação de serviços, focando em segurança, saneamento e saúde”, afirmou. 

Relação com Guedes


Montezano também é filho de Roberto Montezano, que trabalhou durante mais de uma década com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele contou que morava em Londres, com uma carreira profissional bem estabelecida e sucedida, mas que, quando viu a notícia de que Guedes poderia ser o possível ministro da Fazenda, passou “noites a fio sem dormir”. “Ia mudar nosso país e nossas vidas”, alegou o presidente do BNDES.

Durante a cerimônia, Guedes elogiou o novo gestor da estatal e disse que tem muito apreço por Roberto Montezano. Ele declarou que é preciso despedalar o BNDES e devolver recursos que são da União. Também enfatizou que o banco não terá mais foco em financiar os campeões nacionais, que, segundo o ministro, as famílias enriqueceram, mas as empresas sumiram. 

Guedes enfatizou que Montezano terá papel fundamental na concretização da agenda de privatizações, comandada pelo secretário de Desestatização, Salim Mattar. O novo presidente do BNDES era secretário-adjunto da pasta e conhece toda a proposta para a venda de estatais do governo. 

Social


Para o ministro, o BNDES precisa atacar o saneamento. “40 mil crianças morrem por ano por falta de recursos a ponto de mudar a taxa de expectativa de vida. Comparando o Sul ao Norte e Nordeste, sempre se fala que a expectativa de vida é mais baixa nos dois últimos. Mas isso é em função da morte de crianças. A taxa de sobrevida após essa fase é quase igual”, argumentou Guedes. 

Montezano alegou que um dos pilares de sua gestão será o “propósito”. “É preciso sempre que as pessoas e colaboradores entendam como a empresa muda a vida das pessoas. Nós acordamos todos os dias para melhorar a vida dos cidadãos”, declarou. “Nós teremos uma filosofia sustentável, sem foco no lucro, sem depender do estado. Não vai competir como o setor privado, mas, sim, atuar onde o privado não irriga. O BNDES está totalmente preparado e equipado para cumprir sua missão e 100% alinhado com esse governo”, acrescentou. 

A tarde, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, dará coletiva de imprensa no Ministério da Economia para dar mais detalhes sobre a sua atuação no banco de desenvolvimento. 

Desentendimento 


Montezano havia sido anunciado para o cargo há quase um mês. Ele foi escolhido após desentendimento do presidente Jair Bolsonaro com o antecessor Joaquim Levy, que estava comandando o BNDES desde janeiro. 

Levy pediu exoneração no governo depois que Bolsonaro ameaçou, via imprensa, demitir o então presidente do banco de desenvolvimento. O presidente disse que o economista estava “com a cabeça a prêmio”

Para Bolsonaro, Joaquim Levy não atuava com transparência e se recusava a cumprir promessas feitas ao eleitores, como a abertura da caixa-preta do BNDES. Apesar da pressão, Levy alegava que todas as informações eram públicas e estavam liberadas no site do banco.

A gota d’água para Bolsonaro demitir Levy foi a nomeação, pelo ex-presidente do BNDES, do advogado Marcos Barbosa Pinto, para a diretoria de Mercado de Capitais da instituição. Ele havia trabalhado no banco durante os governos petistas. 

Desde o início do governo, o chefe do Executivo demonstrou insatisfação com a indicação de Levy para o BNDES, já que ele havia chefiado o Ministério da Fazenda no governo Dilma Rousseff. O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a indicação, mas, nos últimos dias do ex-presidente do banco de desenvolvimento, não lutou pela permanência dele no cargo. 

Perfil


Montezano assumiu o posto de secretário-adjunto de Desestatização em 2019, quando foi montada a equipe econômica. Ele era o “vice” de Salim Mattar, atual secretário da pasta, que também era cotado para o cargo de presidente do BNDES. 

Com 38 anos, o novo presidente do BNDES foi sócio do BTG Pactual e trabalhava em Londres na ECTP (Ex- BTG Pactual Commodities) antes de ir para o Ministério da Economia. Ele fez mestrado em economia pela Faculdade de Economia e Finanças (Ibmec-RJ) e também é graduado em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia (IME-RJ). Iniciou sua carreira como analista de Private Equity no Opportunity, no Rio de Janeiro.

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