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Correio Braziliense

Governo Bolsonaro corre contra o tempo para evitar greve de caminhoneiros

Nesta terça-feira, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, se reúne com transportadoras e representante de setores que dependem do transporte de carga para funcionar


postado em 23/07/2019 17:23 / atualizado em 23/07/2019 20:22

Em maio de 2018, a greve dos caminhoneiros durou quase duas semanas(foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Em maio de 2018, a greve dos caminhoneiros durou quase duas semanas (foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
 
 
Começou, por volta de 16h, com uma hora de atraso, a reunião do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas com transportadoras e representante de setores que dependem do transporte de carga para funcionar. O tema, mais uma vez, é a tabela de piso mínimo de preço do frete para caminhoneiros, resolução número 5.849/2019 da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), que insatisfaz a categoria, que agora ameaça uma greve caso o governo não mude os cálculos. 

No encontro, estão representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), do Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja (Sindcerv), da Associação Brasileira Indústrias Óleo Vegetal, as associações nacionais dos Usuários do Transporte de Carga (Anut) e dos Exportadores de Cereais (Anec), dentre outros.

Representando o grupo, a diretora de relações institucionais da CNI, Mônica Messemberg explicou que a intenção do encontro era questionar o governo sobre a suspensão da tabela de frete da ANTT. "Ficou esclarecido que não houve revogação. Temos uma suspensão da tabela, para permitir a criação de alguns consensos, evitando alguma situação de greve. Fomos assegurados pelo ministro de que amanhã terá uma reunião com os caminhoneiros para verificar como construir uma solução satisfatória para ambos os lados e, certamente,  no curto prazo, vamos tentar resolver isso e retornar à tabela da Esalq que é reconhecida tecnicamente como mais adequada, e que reflete os custos mínimos necessários para o setor", afirmou.

Nesta quarta-feira (24/7), o ministro se reunirá com caminhoneiros. O resultado desses encontros, se positivos, arrefecerá os ânimos dos caminhoneiros. Mas ,se der errado, tanto setores da indústria quanto os trabalhadores podem sair melindrados. Da indústria pois são eles que pagarão por um possível aumento no piso mínimo do frete. A resolução da ANTT determina a nova política de preços mínimos do frete para caminhoneiros, mas também onera empresas. 

Por enquanto, vale a política antiga, gerida pela resolução número 5820/2018, editada no governo Temer e em vigor até a semana passada.Uma das lideranças que se encontrará com o ministro, Wallace Ladim, o Chorão garantiu, esta manhã, que “o clima é o mesmo”. O que quer dizer que a categoria continua disposta a cruzar os braços. “Estamos aguardando. Quero que todo mundo resolva da melhor forma possível. A decisão da ANTT foi um alívio, mas não representa um ganho para a categoria, e sim, uma coisa errada em que o governo voltou atrás. Precisamos de uma adequação (na tabela). Se ficar do jeito que está, ninguém vai querer carregar nada acima de sete eixos. Estamos esperando uma posição do ministro (Tarciso Gomes). Estamos mostrando onde está errado e o que tem que consertar”, afirmou o representante.

Também participará da reunião de quarta a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). Por meio de nota, a confederação informou que revisou a resolução da ANTT e que “identificou alguns pontos que causaram estranheza, como por exemplo, o fato de equipamentos e condições operacionais diferentes - como granel sólido, conteinerizada, granel líquido e neogranel - apresentarem o mesmo valor para cálculo”. Ainda segundo o texto divulgado, outro ponto “é que não há diferença nos valores da contratação do conjunto ou só do cavalo quando se refere à carga geral na linha de equipamentos de 5 e 6 eixos”.

“A entidade também aponta a necessidade da ANTT divulgar os números que fundamentaram os parâmetros de cálculo, para que assim, a categoria possa entender quais foram as referências adotadas para se chegar aos valores divulgados e avaliar mais profundamente se eles são realmente adequados com o custo da operação de fretes. Outro ponto levantado pela CNTA, até mesmo nas audiências públicas, é a imprescindibilidade de ser incluído nas variáveis de cálculo, a diária do caminhoneiro, como custos com alimentação e pernoite”, segue o texto.

A CNTA encerra alertando que “é inevitável a insatisfação da categoria, que possuía uma grande expectativa pela resolução, principalmente pelo longo tempo que levou para ser elaborada e pelo fato dos caminhoneiros terem participado ativamente das audiências públicas com contribuições para sua construção”.

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