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Correio Braziliense

Hacker diz que entregou mensagens a site, mas Greenwald não confirma fonte

Walter Delgatti disse que não cobrou pelo envio do material e que repassou tudo pela internet. Editor do Intercept disse pelo Twitter que informação é verdadeira


postado em 25/07/2019 15:13 / atualizado em 25/07/2019 15:46

(foto: Evaristo Sá/AFP)
(foto: Evaristo Sá/AFP)
O hacker Walter Delgatti Neto, um dos presos pela Polícia Federal por suspeita de hackear o celular de Sérgio Moro e outras autoridades, afirmou, em depoimento, que repassou ao site The Intercept Brasil mensagens trocadas por procuradores da Lava-Jato e pelo ministro da Justiça. Desde 9 de junho, o veículo publica diálogos que lançam suspeitas sobre a conduta dos integrantes da operação no Paraná.

Delgatti é defendido por um advogado público federal e está preso na Superintendência da PF em Brasília. Ele foi alvo de um mandado de prisão provisória, emitido pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o acusado declarou que entregou as mensagens de forma anônima, sem cobrar por isso e que repassou pelo aplicativo Telegram ao jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do portal.

Após a publicação da matéria da Folha, o jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do The Intercept, se manifestou pelo Twitter para dizer que a informação era "nova e verdadeira", o que levou muitos a acreditar que ele estava confirmando ser Delgatti a sua fonte.

Pouco depois, porém, o jornalista ressaltou: "Para ser claro, não estou afirmando que a pessoa acusada pela PF é de fato nossa fonte. Nós não comentamos sobre nossas fontes. Eu estou apenas destacando o que a pessoa que PF e 
@folha disseram ser a nossa suposta fonte."

"Nenhuma ilegalidade"

A primeira mensagem de Greenwald, que levou à interpretação de que ele havia divulgado a fonte, buscava ressaltar que as novas informações confirmavam que o site não cometeu nenhuma ilegalidade, tendo divulgado apenas as informações recebidos de terceiros. 

"Dada essa informação nova e verdadeira, a única maneira pela qual Bolsonaro e Sergio Moro podem criminalizar nosso jornalismo é se renunciarem a qualquer pretensão de que o Brasil ainda é uma democracia. Em nenhuma democracia está denunciando um crime", afirmou no primeiro tuíte.

Na sequência, o norte-americano reproduziu trechos da reportagem: "Como sempre falamos: 'Em depoimento, Delgatti, um dos quatro presos pela PF, disse que encaminhou as mensagens ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site, de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira'."

"Mais importante: 'Os contatos com Greenwald, segundo o preso, foram virtuais, somente pelo aplicativo de conversas Telegram, e ocorreram depois que os ataques aos celulares das autoridades já tinham sido efetuados.' Exatamente que falamos desde o começo".

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