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Correio Braziliense

Justiça autoriza transferência de ex-presidente Lula para São Paulo

Na decisão, a juíza Carolina Moura Lebbos afirma que não há mais justificativa para manter Lula na sede da PF no Paraná


postado em 07/08/2019 09:49 / atualizado em 07/08/2019 16:30

(foto: Sérgio Lima/AFP)
(foto: Sérgio Lima/AFP)
A juíza substituta da 12ª Vara Federal de Curitiba (PR), Carolina Moura Lebbos, autorizou, nesta quarta-feira (7/8), que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja transferido da sede da Polícia Federal no Paraná para uma prisão em São Paulo. Na decisão, a magistrada destaca que o petista já foi condenado em 2ª instância e não cumpre prisão cautelar. 
 
A Justiça atende a um pedido da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, que reclama da grande aglomeração de pessoas em volta do local desde a prisão do ex-presidente. "A presença de grupos antagônicos passou a demandar atuação permanente dos órgãos de segurança de forma a evitar confrontos, garantir asegurança dos cidadãos e das instalações; que toda a região teve sua rotina alterada", argumenta a PF.
 
Na decisão, Lebbos afirma que não há mais justificativa para manter Lula na sede da PF. “As razões de segurança, preservação da ordem e administração da Justiça inicialmente presentes não mais justificam a manutenção no local de condenação”, afirma.
 
A defesa de Lula é contra a transferência, de acordo com o PT, que informou que a defesa tinha pedido para a juíza aguardar o julgamento de um Habeas Corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para decidir. No despacho, a juíza expõe também que os advogados de Lula também requerem que o ex-presidente fique em Sala de Estado Maior.
 
Mas Lebbos atendeu a manifestação do Ministério Público Federal e afirmou que a lei não prevê nada nesse sentido em garantia para ex-presidentes da República. “E, ao ver deste Juízo, não se pode juridicamente extrair interpretação extensiva nesse sentido, de modo a impor, a priori e em qualquer circunstância, o cumprimento de pena por ex-Presidentes da República em Sala de Estado Maior”, diz.
 
No entanto, os procuradores do MPF não foram favoráveis à transferência de Lula. Afirmando que a “remoção somente poderia ocorrer após o encerramento da instrução criminal nas ações penais”. Ainda segundo Lebbos, o MPF afirmou que “a segurança do entorno do local do estabelecimento é ônus da Segurança Pública do Estado do Paraná e não da própria Polícia Federal; que a movimentação do entorno foi resolvida pelo Juízo Estadual e a concentração de pessoas diminuiu consideravelmente, não mais havendo notícia de episódios de confronto nas imediações”. 
 

Ressocialização em família

Entre os argumentos, a juíza também alegou que a permanência do condenado próximo ao seu meio social e familiar tem por objetivo de reduzir os custos humanos e financeiros inerentes à custódia, "além de proporcionar melhores condições de ressocialização do preso".
 
No despacho, a magistrada informou que ficará a cargo da Execução Penal de São Paulo decidir onde o ex-presidente ficará. O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, da Unidade de Departamento Estadual de Execução Criminal determinou que o ex-presidente ficará na Penitenciária II de Tremembé, no interior do Estado. O local é conhecido como a prisão dos famosos, por abrigar detentos como Alexandre Nardoni e os irmãos Cravinhos.
 
"Constata-se a plena pertinência de transferência do executado ao Estado de São Paulo, onde em princípio poderá o executado ser custodiado com a segurança necessária ao caso, em condições adequadas e em atendimento ao interesse público", registrou Lebbos na decisão.
 
Lula está preso pela condenação no caso do triplex do Guarujá na sede da Polícia Federal em Curitiba, desde 7 de abril de 2018. A trasnferência ainda não tem data definida. 
 

O que diz a defesa

Em nota, o advogado de Lula Cristiano Zanin Martins afirmou que a decisão de não garantir Sala de Estado Maior contraria precedentes já observados em relação a prisão do ex-presidente Michel Temer. "Lula é vítima de intenso constrangimento ilegal imposto por parte do Sistema de Justiça. A Defesa tomará todas as medidas necessárias com o objetivo de restabelecer a liberdade plena do ex-Presidente Lula e para assegurar os direitos que lhe são assegurados pela lei e pela Constituição Federal", afirma. 
 
A defesa do ex-presidente recorreu, no início da tarde, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes para que seja anulada a transferência do petista da sede da Polícia Federal em Curitiba (PR) para a penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, ou que ele seja solto. O advogado Cristiano Zanin também pede que seja, ao menos, garantido a Lula a prisão em uma Sala de Estado Maior.

Críticas e encontro com Toffoli

Após o anúncio da decisão de transferir Lula para Tremembé, deputados do PT foram se reunir com o presidente do Supremo, Dias Toffoli. O ministro deixou a sessão plenária para se encontrar com os parlamentares. Assessores também participam do encontro.

Na Câmara, deputados do PSDB, Centrão e o presidente da Casa, Rodrigo Maia, criticaram a decisão da juíza do Paraná. O assunto rapidamente tomou conta das conversas entre os deputados, tirando a atenção da tramitação da reforma da Previdência. 

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